Agnelo e Weslian Roriz vão para o segundo turno

Candidato do PT ficou com 48,41% dos votos e mulher do ex-governador Roriz, barrado pela Lei do Ficha Limpa, teve 31,5%

Edna Simão, Lígia Formenti e Marta Salomon, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

Depois de uma campanha tumultuada e ainda sob os reflexos da crise política deflagrada no ano passado, a definição para governador do Distrito Federal ficou para o segundo turno. Os eleitores voltarão às urnas para escolher entre um neopetista aliado a antigos personagens dos escândalos de pagamento de propinas e a candidatura "laranja" da mulher do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), barrado pela Lei do Ficha Limpa.

Agnelo Queiroz, do PT, obteve 48,41% dos votos válidos e Weslian Roriz, do PSC, recebeu 31,5%. O crescimento da candidatura de Toninho (PSOL), com 14,25%, provocou o segundo turno. Houve 6,13% votos nulos e 3,76% brancos.

Agnelo Queiroz, que migrou do PCdoB para o PT, teve sua imagem colada à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se preparou para uma vitória no primeiro turno. A expectativa foi frustrada pelos votos cativos de Roriz, capturados pela neófita Weslian, sinal de que o eleitor do DF relativizou o impacto das denúncias de corrupção e a exclusão de Roriz por ter sido enquadrado na Lei do Ficha Limpa.

A liderança de Agnelo Queiroz representa a possibilidade de o PT voltar ao poder na capital do País depois de mais de 11 anos. Mas o retorno do partido inimigo de Roriz e Arruda está longe de representar uma grande renovação na política local.

Isso fica evidente já na escolha do vice na chapa de Agnelo, Tadeu Fillipeli. Integrante do PMDB, adversário histórico do PT na região, Fillipeli foi homem forte de Joaquim Roriz durante 20 anos. Rompidos, o candidato a vice aproximou-se de José Roberto Arruda até o início dos escândalos de corrupção.

"Houve um reposicionamento da política do DF, um grande esforço, que se expressa na distância entre uma aliança por conveniência e uma aliança por compromisso", alega o vice. "Haverá uma renovação profunda."

Agnelo e Filipelli lideram a coligação Um novo caminho, integrada por 11 partidos, aos quais estão filiados outros ex-aliados de Roriz e Arruda, além de políticos investigados pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que apurou a distribuição de dinheiro entre aliados do ex-governador.

O grande trunfo de Agnelo na campanha foi a proximidade com Lula, de quem foi ministro dos Esportes, no primeiro mandato do presidente. Ele deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado. Derrotado, foi contemplado com um cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Agnelo contava com a Lei do Ficha Limpa para derrotar seu principal adversário, que renunciara em 2007 para não perder o mandato de senador. Mas, à última hora, Roriz improvisou a candidatura da mulher, Weslian. A falta de intimidade com a política ficou evidente nos debates e até mesmo na hora de votar. Weslian se atrapalhou com a urna eletrônica e teve de voltar à cabine para confirmar o voto.

Em poucos dias de campanha, Weslian repetiu que contará com a ajuda de Deus e de assessores técnicos para enfrentar os problemas do DF. Sem respostas às perguntas que lhe faziam, quando não pode recorrer ao marido, prometeu simplesmente "amor e carinho" se for eleita.

Agnelo avisou que, se eleito, pretende acumular o governo no DF com o cargo de secretário de Saúde. Mas os problemas na área, abalada por denúncias de desvio de dinheiro, são apenas parte do desafio do novo governador. Auditoria recente da Controladoria Geral da União mostra que desorganização administrativa é mais ampla e talvez mais complicada de administrar do que uma suposta renovação política.

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