Agora, filas no aeroporto são para remarcar bilhetes

Companhias aéreas reembolsam passagem de quem desistir de voar e não cobram taxa de remarcação

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

No Aeroporto de Congonhas, as longas filas não são mais para o check-in, e sim para a remarcação de vôos cancelados. As principais empresas orientam que os passageiros liguem antes para os respectivos telefones de atendimento ao consumidor para saber se o vôo foi cancelado ou transferido. TAM, Gol, Varig, OceanAir e BRA informaram que estão reembolsando a passagem de quem desistir de voar e não estão cobrando taxa de remarcação de passagem. Apagão, greve dos controladores e overbooking transformaram a vida do passageiro num inferno. "Agora, o problema é outro", diz Paulo Pacini, coordenador de Ações Judiciais do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). "A preocupação passou a ser a segurança." O acidente do vôo 3054 deixou, segundo Pacini, o brasileiro ainda mais decepcionado com o papel fiscalizador do Estado. "A atuação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é permissiva. Ela deixa as companhias fazerem o que querem. A TAM pratica overbooking há muito tempo." NOITE NO SAGUÃO Refém do caos, o passageiro que precisa voar acaba sendo vítima de situações constrangedoras como ter de passar a noite no aeroporto sem notícias de quando vai conseguir embarcar. Lourdes Edgard Brandão, de 32 anos, foi passar as férias com os filhos em Porto Seguro (BA). Ela mora em Brasília e resolveu ir de ônibus. Lourdes levou um dia para chegar a seu destino. "Para ser menos cansativo, resolvi voltar de avião. Mas está demorando mais do que se viesse de ônibus", disse Lourdes. Ela demorou quase um dia para embarcar para São Paulo, onde faria escala no Aeroporto de Congonhas. Mas foi parar em Cumbica. Pegou um ônibus para Congonhas às 8 horas. Só à noite descobriu que seu vôo foi cancelado e que sairia de Cumbica no dia seguinte. A família de Lourdes acabou num hotel, pago pela companhia aérea. Mas nem sempre os gastos são cobertos pelas empresas. No fim do ano passado, o Idec entrou com uma ação civil pública contra a Anac e todas as companhias aéreas. Pedia que o consumidor recebesse assistência imediata. APÓS 4 HORAS DE ATRASO De acordo com o Código Brasileiro da Aeronáutica, as empresas têm a obrigação de pagar alimentação, transporte e mesmo hospedagem depois de quatro horas de atraso do vôo. "Isso é absurdo. Segundo o Código do Consumidor, a empresa é obrigada a oferecer assistência imediata", diz Pacini. O descontentamento do passageiro pode ser medido pela procura no site do Idec pelo modelo de ação judicial disponível para download - ou seja, o consumidor baixa em seu computador e imprime. De fevereiro a junho, o órgão de defesa registrou 7,7 mil downloads. Neste mês, os acessos aumentaram cerca de três vezes - foram 5,7 mil registros em julho. Na semana passada, o Idec (tel. 0--11/3874-2152) lançou um abaixo-assinado pedindo o fechamento de Congonhas até que os motivos do acidente sejam esclarecidos. Em cinco dias, 2,2mil consumidores assinaram, em cinco dias, o abaixo-assinado pelo fechamento do Aeroporto de Congonhas. 2,2mil consumidores assinaram, em cinco dias, o abaixo-assinado pelo fechamento do Aeroporto de Congonhas

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