Antonio Lacerda/Efe
Antonio Lacerda/Efe

Agora todo mundo pode ouvir o samba

Acústica da nova Sapucaí, com caixa de som dos dois lados da avenida, ganhou nota máxima de sambistas e espectadores

20 Fevereiro 2012 | 23h55

RIO - O novo desenho do sambódromo do Rio agradou principalmente por causa do efeito acústico provocado pela instalação de caixas de som dos dois lados da Marquês de Sapucaí. Até o ano passado, o paredão de três andares de camarotes não permitia que as caixas de som fossem espelhadas em quase toda a avenida e deixava nas escolas algumas áreas surdas, como as ocupadas por componentes no lado direito de grandes alegorias.

"Foi uma mudança para melhor, sem dúvida. Agora não tem mais aquela briga de destaque querendo sair só do lado esquerdo dos carros. E com certeza proporcionou um espetáculo melhor para quem viu", opinou o cantor Elymar Santos, que desfilou na Imperatriz.

O experiente puxador da Imperatriz, Dominguinhos do Estácio, foi preciso: "O som melhorou uns 40% em relação ao que era. Não tem mais aquele som rebatido no paredão de camarotes. Melhorou muito, e isso ajuda a interagir com os dois lados da avenida."

Ana Célia Guimarães, da Velha Guarda da Portela, disse ter percebido que o samba da escola de Madureira contagiou a Sapucaí por causa da nova configuração do sambódromo. "Mudou tudo, a pista ficou mais ampla, e a gente agora podia ouvir as pessoas cantando o nosso samba, que é lindo. Eu ouvi os aplausos das frisas e o samba nítido, como se estivesse na quadra. Fiquei emocionada", derreteu-se.

Samba no pé. Mulata com mais de duas décadas no sambódromo, Nilce Fran, coordenadora da ala de passistas da Portela, contou que ouvir o som da escola nos dois lados da passarela beneficiou o desempenho dos sambistas. "Para a gente que tem samba no pé, ouvir o samba é essencial, dá um gás. A Portela já tinha sido a primeira a colocar a ala de passistas na frente da bateria por causa disso, porque só dava vontade de sambar de um lado. Agora está ótimo."

"O som estava dez", também aprovou Beto da Terceira, que há três anos defende as cores da Imperatriz tocando o chamado surdo de terceira. "Gostei da luz também, sem sombras, com os holofotes dos dois lados."

O compositor da Portela Marquinhos de Oswaldo Cruz confessou que temeu a distância maior entre os dois lados da passarela, mas também aprovou o novo sambódromo. "Mesmo com uma distância maior, o samba empolgou."

Entre o público, o maior elogio às novas arquibancadas se deveu ao fato de elas permitirem uma ampla visão do recuo, espaço onde a bateria permanece a maior parte do tempo de desfile. "Superou as expectativas, daqui eu vejo perfeitamente a bateria", elogiou o contador Wilson Faustino, de 50 anos, que fez sua estreia no sambódromo ocupando a arquibancada do setor 8.

Frisas. O posto da 6.ª Delegacia no sambódromo do Rio foi procurado por pelo menos 25 pessoas que não conseguiram ocupar as frisas compradas com antecedência porque as obras não terminaram para os desfiles do fim de semana.

O delegado plantonista Ruchester Marreiros decidiu não abrir inquérito por entender que não houve crime. Para ele, a queixa dos foliões ludibriados deve ser analisada pelos órgãos especializados em questões de defesa do consumidor. Marreiros recomendou aos lesados que procurassem a Defensoria Pública do Estado do Rio.

O atraso na conclusão das obras do sambódromo virou motivo de jogo de empurra entre os organizadores do desfile. Na noite de domingo, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), responsabilizou as ligas das escolas de samba pelos problemas ocorridos nas frisas que ficaram sem cadeiras durante o desfile das escolas do Grupo de Acesso, na noite de sábado.

Paes disse que as pessoas que foram prejudicadas terão direito a reembolso, a ser pago, segundo ele, pela Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga) e pela Liga das Escolas de Samba (Liesa). "Você faz uma obra dessa, tem tanto concreto, tanta coisa para fazer e vem um problema na montagem da frisa. É inaceitável. As pessoas que não tiveram suas frisas têm de ser reembolsadas pela Lesga e pela Liesa", afirmou Paes anteontem, no início da primeira noite de desfiles.

As pessoas que compraram ingressos, a R$ 172 cada, para as frisas do setor 2 foram surpreendidas, no sábado, com a falta de cadeiras, que só foram instaladas na manhã e no começo da tarde de domingo. O público foi remanejado para o setor 11. A 20 minutos do início dos desfiles do Grupo Especial, ainda havia pessoas trabalhando no sambódromo.

O presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Melo, culpou a Liesa pela demora na finalização das frisas. A Liesa, por sua vez, jogou a culpa na empresa contratada para o serviço, que não conseguiu terminá-lo no prazo estabelecido. A Lesga não se manifestou. / SILVIO BARSETTI, ALEXANDRE RODRIGUES, FÁBIO GRELLET, MÔNICA CIARELLI, CLARISSA THOMÉ, ROBERTA PENNAFORT, LUCIANA NUNES LEAL e SERGIO TORRES

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