Agricultor que matou quatro era solitário

O agricultor Duílio Pessoto, de 56 anos, que matou quatro amigos e depois se matou, hoje, em Jundiaí, no interior de São Paulo, era um homem solitário. Segundo familiares das vítimas, "seu Duílio", como era conhecido, tivera uma namorada há cerca de 12 anos, mas o relacionamento não deu certo. Quando foi abandonado, afirmou que nunca mais teria outra mulher.Com o abandono, Pessoto passou a falar em suicídio. Por ironia, quem tirou essa idéia de sua cabeça foi uma de suas vítimas, Antônio Segala, de 58 anos. Segundo amigos , Segala era um homem religioso. "Recentemente ele esteve em Roma para ver o papa", disse o motorista Hélio Chiqueto, de 53 anos. Segundo ele, Segala também trabalhava numa igreja. "Ele costumava participar dos cursos para casais".Pessoto ainda teria sido internado há alguns anos com problemas de alcoolismo. Vizinhos o consideravam uma pessoa "estranha". Até o início da noite de hoje nenhum familiar tinha ido até o Instituto Médico Legal (IML), para liberar o corpo. Segundo funcionários, a família estaria com medo.Os amigos do comerciante Benedito Silva e de Antônio Segala não entendem porque ele resolveu matar os quatro colegas de bar e depois se suicidar. Uma das filhas de Silva, proprietário da "Vendinha do Alto", afirmou que "todos eram amigos e nunca tinha havido confusão no bar". O local era freqüentado por pessoas de todas as classes, como o prefeito e vereadores.O coronel Cláudio Benevides, comandante da Guarda Municipal, disse que Silva sempre foi um homem bom e tranqüilo. "É por isso que eu acho que as pessoas não devem ter arma em casa. Dá nisso. A fiança para arma deveria ser de R$ 100 mil. A arma em casa é um grande perigo para a sociedade", disse se referindo aos dois revólveres de PessotoA dona da loja de materiais para construção Silvestroni, Mércia Silvestrone, considera Pessoto um "louco". Ela viu o agricultor matar seu funcionário Segala e depois cometer suicídio "O Antônio estava sozinho, quieto, no canto dele, fazendo palavras cruzadas, quando esse homem entrou e o chamou. Ele trabalhava com a gente há 20 anos. Por que ele não se matou e deixou os outros vivos?", questionava.

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