Água contaminada atinge Baía da Guanabara

A água contaminada por produtos químicos que vazou do galpão do antigo Curtume Carioca atingiu hoje a Baía de Guanabara, alcançando a Praia de Ramos, praias da Ilha do Fundão e poderia chegar à Praia do Galeão. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente decidiu isolar a Praia de Ramos com fitas - ela já é interditada para o banho por causa da poluição. O curtume, usado irregularmente como depósito de produtos químicos, pegou fogo na tarde de sexta-feira. Ontem, houve nova explosão no galpão e 50 bombeiros trabalharam para apagar o foco de incêndio. Técnicos da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) sobrevoaram hoje pela manhã a mancha de tom esverdeado, que se estende por uma área de 1.500 metros, e colheram amostras da água do Canal de Irajá e da Baía de Guanabara. O material será analisado a partir de segunda-feira, para identificar que tipo de produto químico vazou da fábrica. A água contaminada que atingiu a baía é proveniente do trabalho dos bombeiros para apagar o fogo. Ela seguiu pelo Canal de Irajá, vazou para outros canais, e chegou à baía. "Cascudos (pequenos peixes) já começaram a morrer próximo à área de concentração da mancha na baía", informou a coordenadora do Serviço contra Poluição Ambiental da Feema, Vilma Cardoso. Para a técnica Fátima Soares, da Divisão de Qualidade da Água da Feema, contudo, as chances de a mancha se espalhar pela baía são pequenas por causa da pouca variação da maré. Ela também acredita que, nesse momento, é reduzido o risco de uma possível contaminação da população. "O produto químico está numa área já bastante degradada, onde não há pesca. Ainda não podemos dizer o que o contato com esse material pode provocar, porque não foi possível identificá-lo", afirmou. Além da Praia de Ramos, que está interditada, a Secretaria de Meio Ambiente informou que o Piscinão de Ramos está vazio para limpeza e só voltará a ter água em cinco de julho. Multa será definida na terça-feira O Curtume Carioca fechou no início dos anos 90 e vinha sendo alugado há algum tempo para um empresário, que instalou ali um depósito clandestino de produtos químicos. Bombeiros encontraram tonéis com rótulos indicando que ali havia tricloroetano, triclorobenzeno, hidróxido de bário, enxofre e ácido benzóico. As substâncias queimadas liberaram fumaças coloridas. A Comissão Estadual de Controle Ambiental se reúne terça-feira para definir o valor da multa que o empresário terá de pagar.

Agencia Estado,

21 Junho 2003 | 13h30

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