Águia de ouro volta a vigiar o centro do topo do Municipal

Em Ipanema, passarela polêmica construída no primeiro mandato de Cesar Maia é demolida

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

31 Agosto 2009 | 00h00

O carioca presenciou ontem dois acontecimentos antagônicos, ambos motivo de comemoração. Ao mesmo tempo em que um dos símbolos da arquitetura da cidade, o centenário Theatro Municipal, recebia de volta a águia folheada a ouro totalmente restaurada ao topo da abóbada de seu teto, em Ipanema era demolida uma polêmica passarela, construída na década de 90 como parte do projeto Rio Cidade e que jamais chegou a ser unanimidade. A águia dourada, de 2,8 metros de comprimento e 6 metros de envergadura, levou quatro meses para ser restaurada. Seu retorno faz parte da ampla reforma do Municipal, orçada em R$ 58 milhões e com término previsto para dezembro. É a quarta grande reforma desde 1934. Por volta das 14h de ontem, um imenso guindaste alçava a águia a seu devido lugar. A presidente da Fundação Theatro Municipal, Carla Camurati, comemorou. "Me dá uma sensação de alívio, de alegria", diz ela. A águia é feita de cobre e ferro e recebeu um revestimento de 8 mil folhas de ouro de 23 quilates, "mais amarelo que os outros", explicou Carla. A secretária Estadual de Cultura, Adriana Rattes, também comemorou. "A águia é o símbolo do Theatro Municipal. Lá de cima, ela vigia e protege o centro da cidade", afirmou. Até uma pequena cadela da raça dachshund (aquela que parece uma salsicha), vestida com camiseta e boné do Flamengo, acompanhou os preparativos para erguer a águia. O dono dela, Edno Barbosa Pugo, aposentado de 65 anos, chegou por volta das 11h, também com a camisa do Flamengo, com uma bicicleta adaptada para carregar a cadela Puguinha. "Vim aqui especialmente para ver a águia. Ela também vai ficar olhando quando a águia subir", brincou, pouco antes do içamento. A reforma e restauração do Theatro Municipal é a maior obra em curso no Rio em termos de valores, afirma o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade. De acordo com ele, somente no Rio todas as obras de reforma somam R$ 100 milhões, patrocinados por meio da Lei Rouanet. Só no Municipal, já foram gastos R$ 40 milhões. ALVO Em Ipanema, a 12 quilômetros dali, a demolição da passarela localizada na Avenida Visconde de Pirajá teve início às 7h. Por volta das 15h, já estava no chão. Pela manhã, o trânsito ficou prejudicado. A obra, criada pelo arquiteto Paulo Casé, era alvo de críticas sobre sua estética e funcionalidade, já que não era utilizada por pedestres e servia de abrigo a moradores de rua, além de bloquear a vista de apartamentos próximos. "Estou muito aliviado. Até bati palmas quando ela veio abaixo", afirma Francisco Chaves, dono de dois bares na frente do lugar onde ficava a passarela. Ele conta que há 32 anos tem comércio nos arredores e que a passarela só servia como abrigo para mendigos. Construída no primeiro mandato de Cesar Maia, entre 1993 e 1997, a passarela integrava o projeto Rio Cidade, um conjunto de intervenções urbanas. Junto ao obelisco, que permanece em pé, ela tinha por objetivo marcar o local onde antigamente o bonde fazia retorno. Uma pesquisa realizada por associações de moradores mostrou que 80% dos entrevistados defendiam a demolição. A associação de moradores de Ipanema pretende sugerir à prefeitura o plantio de árvores no local.

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