Aguiar nega intenção de transferir Beira-Mar para os EUA

Quatro horas depois de a Secretaria da Segurança Pública anunciar que negociava a transferência provisória para os Estados Unidos do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o secretário Roberto Aguiar negou em nota oficial que o Estado tenha essa intenção.Beira-Mar foi acusado em março pelos Estados Unidos de tráfico internacional. No fim da manhã desta quinta-feira, a assessoria de imprensa da secretaria divulgou que Aguiar havia sido recebido pelo cônsul americano Mark Boulware ? em uma prévia do encontro que teria com a embaixadora no Brasil, Donna Hrinak, até o fim do mês.Aguiar e a diplomata discutiriam a transferência de Beira-Mar para aquele país, onde o traficante permaneceria até ser ouvido sobre seu envolvimento com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc). Aguiar, no entanto, informou que se encontrou com o cônsul para discutir um acordo de cooperação técnica entre as polícias americana e fluminense. Ele atribuiu a divulgação da transferência a um erro de um assessor.?Era uma hipótese que está descartada?, disse em entrevista à Rádio CBN. As supostas gestões do governo para a transferência do criminoso junto ao consulado receberam críticas de advogados especializados. O ex-secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, disse que há uma brecha na Constituição para a extradição do traficante, desde que esta seja solicitada pelo governo americano ao Supremo Tribunal Federal (STF).Mas, para ele, a medida seria ?uma confissão de falência do sistema penitenciário fluminense e das polícias?. Maierovitch diz que o artigo 5º da Constituição, que trata dos Direitos e Garantias Individuais, diz no inciso 51 que nenhum brasileiro pode ser extraditado, exceto quando envolvido em ?tráfico ilícito de entorpecentes?.Ele afirmou ainda que uma suposta transferência do traficante pode funcionar como moeda de troca para os Estados Unidos. ?O acordo é sempre bilateral. Qual o interesse americano em receber o Beira-Mar? Seria o apoio brasileiro à Iniciativa Regional Andina, que é o velho e militarizado Plano Colômbia? O governo brasileiro sempre entendeu que a insurreição na Colômbia era um problema interno.?O representante brasileiro no Alto Comissariado das Organizações das Nações Unidas para Refugiados, o advogado criminalista Wanderley Rebello, disse que não há precedentes de transferência de um criminoso brasileiro para o exterior. ?Mesmo que tivesse cometido o crime fora do Brasil, ele não seria extraditado?, afirmou.O advogado de Beira-Mar, Lydio da Hora, reagiu com irritação à possibilidade. ?É uma baixeza, uma vilania. Eles não são ninguém para pedir a transferência. Isso cabe ao Itamaraty.? Em março, os Estados Unidos apresentaram acusações por narcotráfico contra Beira-Mar. Em junho, ele foi incluído pela Casa Branca na lista com os nomes de 29 traficantes internacionais que ameaçam a segurança nacional, a política externa e a economia americanas.

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