Air France manda substituir sensor e cresce hipótese de falha técnica

Cresceu a hipótese de que uma falha técnica no Airbus A330-200 tenha sido determinante para a queda do voo 447, com 228 pessoas a bordo (59 brasileiros), no domingo. Em comunicado enviado aos pilotos, a Air France informou que está substituindo sensores de velocidade dos aviões que realizam voos de médio e longo cursos, a exemplo da ligação Rio-Paris. A nota foi divulgada um dia depois de a companhia Airbus e de o Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA) confirmarem que uma "incoerência da velocidade aferida" foi verificada quando do desastre no Atlântico. A revelação da substituição das peças foi feita pela agência Associated Press (AP). Segundo o memorando, a substituição dos "pitots" - que são três independentes, no caso do A330 - seria encerrada "nas próximas semanas". Esses tubos medem o deslocamento do ar, instruindo a velocidade da aeronave. Consultada pelo Estado, a Air France se recusou a fornecer detalhes, sob a alegação de que a companhia "não comenta informações internas". O porta-voz, contudo, reconheceu de forma indireta a existência do comunicado. "Trata-se de um documento interno destinado aos pilotos."Mas, em 2002, um relatório da Autoridade de Segurança na Aviação Civil da Austrália já recomendava a troca dos pitots nas aeronaves da família A330. O documento, assinado pelo delegado de segurança de voo Barry James Reid McKay, alegava que os pitots precisam atingir qualificações maiores de segurança. "A direção de aviação civil francesa já havia alertado que pilotos têm reportado perda ou mudanças na velocidade quando estão voando em condições meteorológicas extremas", escreve o especialista australiano. "Uma investigação mostrou a presença de cristais de gelo e/ou água além dos limites da especificação do pitot. O tubo 0851GR do pitot é considerada a causa mais provável das discrepâncias nas velocidades de voo."A troca dos equipamentos levanta mais dúvidas sobre a hipótese de que uma pane eletrônica esteja nas origens do acidente. Na quinta-feira, o jornal Le Monde revelou que as investigações do BEA haviam identificado um "erro de velocidade" do aparelho no momento do acidente. Horas depois, o escritório emitiu um comunicado confirmando essa versão. De sua parte, a Airbus admitiu ter enviado às companhias aéreas que têm aviões da marca um Telex de Informação sobre o Acidente (Accident Information Telex, AIT) orientando os pilotos - de todos os modelos, e não apenas o A330 - a manterem a velocidade e a estabilidade durante tempestades. "Enviamos a AIT às companhias e tivemos o aval do BEA para fazê-lo", reconheceu a porta-voz da Airbus, Claudia Müller.

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