Air France respeitou segurança, dizem especialistas após acidente

Causas da queda do voo AF447 em junho de 2009 ainda não foram determinadas; 228 ocupantes morreram após o avião cair no oceano Atlântico

Gwénaelle Barzic, REUTERS

24 de janeiro de 2011 | 17h04

PARIS - Um grupo de especialistas independentes convocados pela Air France-KLM para estudar a segurança de seus aviões após o acidente do voo entre Rio de Janeiro e Paris concluiu que a companhia aérea não cometeu nenhum erro relativo à regulamentação em vigor.

Instituída seis meses após a queda do voo AF447, cujas causas ainda não foram determinadas, a missão apresentou uma lista de 35 recomendações, indicou a Air France na segunda-feira em comunicado à imprensa sem, contudo, revelar o teor delas.

"A missão destacou que no decorrer de seus trabalhos não identificou nenhum erro de conformidade com relação à aplicação das regulamentações vigentes", disse o comunicado.

"A maioria das recomendações será implementada rapidamente, segundo um calendário que será definido agora e seguido nas instâncias competentes da empresa", acrescentou a companhia.

O Airbus A330 da Air France caiu no oceano Atlântico, no litoral do Brasil, na noite de 31 de maio para 1o de junho de 2009, matando seus 228 ocupantes.

Parte dos destroços do aparelho foi encontrada, menos as caixas-pretas. Um novo esforço para localizá-las será iniciado em fevereiro.

A investigação técnica revelou uma falha nas sondas Pitot, que medem a velocidade do avião, mas, na ausência das caixas-pretas, o Escritório de Investigações e Análises (BEA) considerou que a falha não foi a causa principal na "cadeia de acontecimentos" que teria levado ao acidente.

Paralelamente à investigação técnica, um inquérito judicial está em curso em Paris. 

Iniciativa. Depois do acidente do voo Rio-Paris, o mais mortífero na história da companhia, a Air France convocou oito especialistas internacionais independentes que, durante um ano, fizeram uma revisão do conjunto de práticas do grupo na área da segurança, uma iniciativa rara no setor aéreo.

As conclusões dos especialistas dizem respeito principalmente "à organização da empresa, sua cultura, e os comportamentos individuais de funcionários, gerentes e sindicatos", segundo o comunicado da Air France, sem mais detalhes.

"A Air France é a primeira grande empresa aérea a ter se submetido à análise de especialistas externos, por sua própria iniciativa", destacou Pierre-Henri Goureon, diretor-geral do grupo franco-holandês, no comunicado.

A empresa já implementou as recomendações preliminares dos especialistas, criando um comitê de segurança dos voos e lançando uma campanha de observações em voo (Line Operations Safety Audit, LOSA).

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