Air France tem outro incidente com sensor

Problema ocorreu com aeronave da empresa que fazia rota Roma-Paris no dia 13 e foi mantido em sigilo; MP aqui pede investigação de frota

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

29 Julho 2009 | 00h00

A Air France registrou no dia 13 deste mês um novo incidente com sensores de velocidade de um Airbus. A informação foi mantida em sigilo pela companhia até ontem, quando foi revelada pelo Sindicato Nacional de Pilotos de Linha (SNPL), o maior da França. Idêntica à pane verificada instantes antes do acidente com o Airbus A330 do voo 447, sobre o Oceano Atlântico, em 31 de maio deste ano, a falha ocorreu em um A320 que realizava a rota Roma-Paris.A informação foi divulgada na noite de ontem pelo jornal Le Figaro e confirmada pelo sindicato da categoria. De acordo com o porta-voz da instituição, Erick Derivry, a falha aconteceu no voo AF 1905, que efetuava a ligação entre os Aeroportos de Fiumicino e Roissy-Charles de Gaulle. O avião estava equipado com tubos de pitot - a designação técnica das sondas - de nova geração, modelo BA, produzidas pela Thales Avionics, consideradas de melhor desempenho em situações meteorológicas adversas.De acordo com o relatório dos pilotos apresentado à Air France, o avião teria sofrido "perda brutal das indicações de velocidade, seguida de perda das informações anemométricas". São essas informações que orientam os demais instrumentos eletrônicos de navegação dos Airbus.Ainda na noite de ontem, a Air France confirmou a pane. "O incidente está ligado às novas sondas", disse a companhia aérea, por meio de sua Divisão de Comunicação. "Ele teve duração de alguns segundos, sem nenhuma consequência sobre os passageiros." A nota informa que uma análise está em curso pelos construtores e pelo Escritório de Investigação e Análises para a Aviação Civil (BEA).O incidente entre Roma e Paris levanta mais dúvidas sobre o Airbus A330-200 que caiu quando realizava o voo AF 447, entre o Rio e Paris, matando os 228 passageiros e tripulantes que estavam a bordo. As sondas pitot, de um modelo anterior (AA), mas também de fabricação da Thales Avionics, estão no centro das suspeitas sobre as causas do desastre.Investigadores do BEA, responsáveis pela apuração das causas da tragédia, evitam apontar até o momento a pane das sondas como a falha que teria causado a queda do voo AF 447. Por precaução, os maiores sindicatos de pilotos da Air France exigiram, com sucesso, que a companhia acelerasse a troca das sondas dos Airbus.De acordo com Derivry, caso as análises técnicas confirmem que a sonda esteve na origem do incidente do voo Roma-Paris, o SNPL poderá exigir que a companhia aérea deixe de lado a marca Thales e adote os pitots da Goodrich, que equipa 70% da frota mundial.DILIGÊNCIASO procurador regional da República em São Paulo Sérgio Monteiro Medeiros expediu ofício pedindo à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que faça diligências para apurar se as operadoras de modelos Airbus no Brasil substituíram os tubos pitot de suas aeronaves. A solicitação de Medeiros tem como alvo a TAM "e outras empresas que operem voos domésticos ou internacionais partindo do Brasil, por meio de equipamentos Airbus". O objetivo, diz Medeiros, é saber se as companhias já providenciaram a troca das sondas. O procurador pede para ser informado sobre os resultados, caso a Anac já tenha feito as diligências.

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