Airbus afirma que caixas-pretas não mostram defeito em avião, diz JN

Os dados das duas caixas-pretas do avião A 320 da TAM, que se acidentou em Congonhas, deixando 199 mortos em 17 de julho, não mostram evidências de mau funcionamento na aeronave, segundo informa um comunicado emitido pela Airbus a todas as companhias aéreas que operam com seus aviões, diz o Jornal Nacional. O JN, da Rede Globo, teve acesso ao documento, emitido pelo Departamento de Segurança da Airbus e assinado pelo vice-presidente de segurança de vôo da empresa, que foi enviado no dia 2 de agosto após o cruzamento das informações das duas caixas-pretas que estavam no avião. Segundo o JN, o texto do comunicado lembra que a divulgação dos dados foi aprovada pelas autoridades brasileiras, confirmando que o avião podia voar com o reverso direito travado e que a bordo havia um manual de procedimentos de pouso atualizado. Os dados de voz da caixa-preta divulgados pela CPI do Apagão Aéreo na quarta-feira mostraram que a tripulação lembrou que só o reverso esquerdo estava funcionando. Antes de tocar o solo, o manete do motor esquerdo foi para posição idle, de marcha lenta, enquanto que o manete do motor direito estava na posição climb, de aceleração. Segundo o documento da Airbus, como o manete permaneceu em posição de aceleração, os spoilers (freios aerodinâmicos) não abriram e o freio automático, nas rodas, não foi ativado. Conforme dados de voz, o freio do pedal foi acionado onze segundos depois de o avião tocar o solo pelo piloto. A Airbus explica ainda na nota que o avião percorreu a pista em uma velocidade de 100 nós (180 km/h). Pilotos da TAM que pilotam Airbus A 320 ouvidos pelo Jornal Nacional dizem que não são treinados para pousos sem spoiler, que se abre sobre as asas do avião. A não abertura do spoiler já causou outros dois acidentes internacionais, com três e cem mortes.

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