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Airbus afirma que prefere não especular sobre tragédia

Presidente explicou em Paris que empresa não é responsável pelas investigações, mas que as apoia

Lúcia Jardim, especial para O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2009 | 18h25

A decisão de não especular sobre as causas que levaram o Airbus A-330 a desaparecer no oceano Atlântico é a razão do silêncio da fabricante da aeronave, explicou nesta terça-feira, 16, o presidente da empresa, Thomas Enders, durante o 48º Salão da Aeronáutica e do Espaço Paris Le Bourget. "Não estamos alimentando especulações sobre as razões do acidente. Estamos apoiando os investigadores e estamos certos de que as razões serão encontradas tão logo as caixas-pretas forem localizadas", afirmou, respondendo a um jornalista que questionou a "timidez" da empresa durante as investigações.

 

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"Isso é o padrão quando acontecem acidentes. Você vai encontrar em nós, você vai encontrar em outras fabricantes. Os responsáveis pela investigação não são da Airbus", defendeu-se. "Os responsáveis são do BEA. Nós os apoiamos, e não vamos especular sobre as razões. Ainda é muito cedo, não existe possibilidade de saber por que o Air France 447 realmente caiu."

 

Em relação à recomendação, feita pela Airbus, para que as companhias efetuassem a troca dos antigos sensores de velocidade pitots - cuja falha é umas das possíveis causas do acidente -, o diretor comercial da Airbus, John Leahy, apressou-se em alertar que a atualização das peças e equipamentos das aeronaves faz parte do cotidiano das fabricantes aéreas. "Lembre-se que, a cada minuto, um A-330 decola, 24 horas por dia e sete dias por semana", ressaltou Leahy.

 

Para defender a segurança de suas aeronaves, a empresa se baseia no fato de o BEA ter afirmado, há dez dias, que por enquanto os pitots não poderiam ser apontados como os causadores da tragédia. "Mesmo se houve velocidades descoordenadas neste avião, ainda não há correlação direta com o acidente. É algo que acontece pouco porém pode acontecer, de acordo com os manuais de voo. Mas existe um procedimento adaptado para isso", declarou o diretor-geral da indústria, Fabrice Brégier, indicando que, se os pitots de fato falharam, talvez a tripulação pudesse ter adotado providências diferentes das tomadas para evitar a queda da aeronave.

 

"É preciso tentar não se aterrorizar. Quando acontece um acidente tão emocional, temos tendência a pensar que aviões não são seguros. Mas olhe a quantidade de tráfego, olhe para a comparação com outros tipos de transporte. Nós já provamos a segurança dos nossos aviões", disse Brégier.

 

França

 

Já o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, garantiu que as buscas pelos corpos, destroços e caixas-pretas não tem data para terminar, conforme acordo feito na véspera com o ministro brasileiro Nelson Jobim, em Paris. "A França continuará disposta a realizar buscas por quanto tempo ainda restar um pouco de esperança em encontrar mais elementos."

 

Morin descartou, no entanto, a ampliação dos esforços já mobilizados para se localizar as caixas-pretas, apesar de o tempo de duração da bateria do equipamento, estimado em 30 dias, estar se aproximando do fim. A bateria possibilita a emissão de um bipe sonoro, através do qual é possível de se encontrar as caixas-pretas no fundo do oceano.

 

As últimas informações sobre as investigações são aguardadas para quarta-feira, durante uma coletiva de imprensa na sede do instituto, em Le Bourget.

 

Familiares

 

A Associação pela Verdade, Ajuda e Defesa das Vítimas do Voo AF 447, criada na última sexta-feira em Paris, reclama por mais informações humanas relativas aos passageiros da aeronave. Para Christophe Guillot-Noël, coordenador da associação e irmão do pesquisador Olivier Guillot-Noël, uma das vítimas, o apoio oferecido pela Air France e pelo governo é insuficiente. Ele diz que há uma semana não recebe nenhuma atualização sobre o caso.

 

De acordo com Guillot-Noël, 45 famílias fazem parte da associação. "Queremos saber de detalhes simples, mas até agora não nos disseram absolutamente nada. Os passageiros sofreram? Quanto tempo eles tiveram de suportar o drama? Em que estado se encontram os corpos?", questionou-se Guillot-Noël, ao vivo no jornal das 20h do canal TF1, a principal emissora privada da França.

 

Como a minha cunhada deve anunciar a morte do pai dela para a filha deles, de apenas cinco anos? Estamos esperando até hoje pelo telefonema dos psicólogos da Air France para sentirmos um pouco de reconforto em meio a tantas questões em aberto."

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