Airbus e fornecedoras são processadas por acidente do voo 447

Advogado de oito famílias de vítimas entrou com ação nos Estados Unidos contra as empresas por falta de apoio

Reuters,

20 de outubro de 2009 | 08h48

Um advogado norte-americano entrou com processo contra a fabricante de aviões Airbus e várias fornecedoras do setor aéreo na segunda-feira, em busca de compensações não especificadas em nome dos familiares de oito dos 228 passageiros que morreram quando um voo da Air France caiu na costa brasileira em junho.

 

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O processo afirma que os reclamantes, parentes de alguns dos mortos no acidente com o voo Air France 447, "sofreram uma perda de apoio", além de outras perdas como resultado das mortes. A ação foi enviada a um tribunal do Estado norte-americano de Illinois. O avião Airbus A330 que caiu no oceano era "defeituoso e irracionalmente perigoso", afirma o advogado.

Também são alvo da ação as fabricantes de peças aeronáuticas Honeywell International, General Electric, Rockwell Collins, Thales e a fabricante de chips Intel. A Airbus, uma unidade da EADS, não comentou o assunto. "Tomamos conhecimento disso. Não comentamos sobre processos", disse Mary Anne Greczyn, gerente de comunicações da Airbus nos EUA, em email.

O voo 447 caiu no Oceano Atlântico após decolar do Rio de Janeiro em direção a Paris no dia 31 de maio, matando 228 pessoas. Investigadores afirmam ainda não saber o que causou o acidente do A330. A investigação pode levar mais um ano.

"Estamos apenas buscando compensação financeira justa, apoio financeiro para as perdas deles", disse Floyd Wisner, advogado especializado em acidentes aéreos, que entrou com a ação. Ele afirmou que, entre os reclamantes, estão pais, cônjuges e filhos de vítimas do acidente oriundos de Hungria, França, Argentina e de outros países.

"Não existem evidências de que qualquer produto da Honeywell a bordo do voo 447 estava com defeito ou não funcionou adequadamente", disse a Honeywell International em comunicado. "Como nem a caixa preta nem a maior parte dos destroços foi encontrada, a ação perpetrada na corte de Illinois é somente especulação. Vamos defender agressivamente nossa reputação e nossos produtos e continuar a usar nossa tecnologia para ajudar a garantir que um evento tão trágico como esse possa ser evitado no futuro", acrescentou o comunicado.

A Intel afirmou em nota que, após uma análise inicial, não acredita que a ação tenha mérito no que diz respeito à fabricante de chips.

O porta-voz da Intel, Chuck Mulloy, afirmou na nota que a ação não traz acusações específicas contra a Intel, somente acusações gerais. "A Intel não vende componentes no mercado aeroespacial por bem mais de uma década", disse Mulloy. "Então, no que diz respeito à Intel, o caso não tem mérito."

Entre outros alvos do processo, a Rockwell Collins afirmou que não comenta processos pendentes. Representantes da Hamilton Sundstrand, unidade da United Technologies, e da GE disseram que essas empresas não analisaram o processo ou não poderiam comentá-lo.

Motorola, Thales, Du Pont, Goodrich e Raychem não retornaram imediatamente os pedidos por comentáriois. A Judd Wire não foi encontrada para falar sobre o caso.

Em agosto, a Reuters informou, da França, que a família de uma comissária de bordo que morreu no acidente buscava uma ação legal contra a Air France, segundo o advogado que representa os familiares.

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