Airbus não explica permissão de vôo com reverso travado

À CPI, diretor não apresenta justificativa técnica para a orientação de voar até 10 dias com reverno pinado

11 Setembro 2007 | 11h53

O gerente residente de Apoio ao Cliente da Airbus no Brasil, Mário Antônio de Oliveira Colaço, afirmou que, para a empresa, não há problema de os aviões voarem com reverso pinado por até dez dias. Ele confirmou que o manual da Airbus dá esse prazo para o conserto de reversos, mas não apresentou aos deputados da CPI da Crise Aérea uma justificativa técnica para essa orientação.   Colaço, que está na Airbus desde 2002, disse que não é engenheiro e que seu conhecimento sobre os aviões é genérico. Ele informou, no entanto, que o prazo sugerido pela Airbus para troca de um reverso pinado deve ser avaliado pela companhia aérea, que tem autonomia para decidir se conserta em um dia ou em dez. Ele lembrou que a empresa aérea pode pedir, inclusive, uma extensão desse prazo e que cabe à autoridade do setor (no caso, a Anac) fiscalizar o procedimento.   O presidente da CPI, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), disse que a Airbus deveria estar preocupada com o defeito dos reversos, já que houve quatro acidentes em outros países por causa do mesmo problema. O relator, deputado Marco Maia (PT-RS), lembrou que o Airbus utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não viaja com o reverso pinado. Em resposta aos parlamentares, Colaço reiterou que a decisão sobre voar com o reverso inoperante é da própria companhia aérea, que pode ou não adotar posição mais restritiva.   Sem respostas   O gerente da Airbus disse desconhecer os dados sobre a investigação do acidente com o avião da TAM, em 17 de julho. Alegando falta de conhecimento técnico, ele não respondeu à maioria das perguntas do relator. A deputada Solange Amaral (DEM-RJ) e o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) chegaram a sugerir a suspensão do depoimento, mas o relator decidiu prosseguir com as perguntas.   Questionado sobre as condições meteorológicas e da pista no dia do acidente, Colaço informou que prefere não emitir opinião, porque seria especulação. "É preciso aguardar o resultado das investigações", disse. Colaço é português e atua há mais de 30 anos no setor de aviação. Neste momento, a comissão ouve o superintendente de Segurança Operacional da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcos Tarcísio Marques dos Santos.   (Com informações da Agência Câmara)

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