''''Aja ou saia. Faça ou vá embora''''

Jobim assume com discurso enérgico e Pires sai melancólico

Vera Rosa e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2027 | 00h00

Na cerimônia em que recebeu o cargo de Waldir Pires, o advogado Nelson Jobim usou tom enérgico há muito engavetado no Ministério da Defesa. Com o argumento de que a história não registra boas intenções, mas, sim, resultados, o novo ministro foi duro. ''''Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe. Aja ou saia. Faça ou vá embora!'''', exclamou Jobim, repetindo frase do premiê britânico Benjamin Disraeli (1804-1881), muito usada pelo ex-presidente do PMDB Ulysses Guimarães. Antes dele, Pires fez um discurso melancólico de despedida, no qual admitiu ''''frustração'''' ao deixar o posto. ''''Tenho, dentro de mim, um sentimento que me sufoca - mas que venço -, de espinhosa dúvida, quase diria de ameaça de frustração, pelo temor do sonho interrompido. Temos de vencer essa crise. Haveremos de vencê-la.'''' Abatido, Pires disse esperar que o governo delegue a Jobim instrumentos que ele não teve para solucionar os problemas. Citou como exemplo de seu lamento a falta de poder para intervir nas decisões da Infraero e para corrigir o que chamou de ''''desvios de concepção'''' da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). ''''Faço votos, do fundo da alma, que o ministro Nelson Jobim, personalidade inteligente, capaz, meu amigo, possa no mais curto prazo conseguir reverter essa situação, fruto de equívocos e erros de longo tempo'''', disse o ministro, que se despedia. Ao receber os cumprimentos de funcionários e oficiais, tinha lágrimas nos olhos. Mesmo se referindo a Pires como ''''meu querido amigo e irmão'''', Jobim procurou demarcar as diferenças com o antecessor. ''''A história não registra e não grava boas intenções. A história registra o que fazemos e o que deixamos de fazer. Ela não aceita explicações'''', bradou. O novo ministro pregou a ''''união nacional'''' para mostrar ao mundo que o Brasil ''''veio para ficar e para ter voz''''. Pragmático, disse não haver tempo para ouvir explicações. ''''Precisamos consumir o tempo do lamento para a construção de soluções.'''' No fim do discurso, citando os tempos de juventude, Jobim tentou demonstrar que o jogo de culpas não funciona. ''''Nós temos de abandonar por completo aquilo que tínhamos na infância, na juventude. Nós nunca éramos culpados de nada. (...) Lembrem-se de que nós sempre encontramos alguém que seja culpado, menos nós.'''' Ao dizer que ninguém é herói do seu tempo, o ministro concluiu com uma frase emblemática. ''''Vamos ao trabalho, meus caros amigos.'''' E foi para a fila de cumprimentos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.