Ala de Marina sofre novo revés no PV-SP

Presidente nacional da sigla não renova mandato da Executiva paulista e acirra confronto com [br]aliados de ex-senadora

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2011 | 00h00

Em um reflexo do agravamento da crise interna no PV, o presidente nacional do partido, deputado José Luiz Penna (SP), não renovou ontem o mandato da Executiva Estadual em São Paulo - ligada à ex-senadora Marina Silva. Em abril, o comando partidário no Estado teve o mandato estendido por dois meses e a praxe seria uma nova prorrogação.

Aliados de Marina - entre eles o presidente estadual da sigla, Maurício Brusadin -, encararam a medida como mais uma tentativa de Penna de enfraquecer o núcleo ligado à ex-candidata à Presidência. Desde o início do ano, o PV virou palco de uma briga interna entre o grupo de Penna e a ala da ex-senadora, que exige mudanças no partido.

Em resposta à decisão de Penna, Brusadin divulgou uma Carta Aberta aos Verdes com duras críticas ao presidente do partido. No texto, ele diz que Penna contraria o estatuto do PV e "define de sua cabeça os prazos de validade para as direções estaduais, de forma que elas fiquem sob seu controle".

Brusadin acusa, ainda, a Executiva Nacional de ser "obscurantista" e "autoritária", e insinua estar sendo vítima de perseguição. "Penna não quer democracia interna e não deseja construir um projeto autônomo para o partido. Tornamo-nos mais um partido como os outros, somos reféns do "peemedebismo", uma espécie de federação de interesses, cujo desejo maior é entrar em qualquer governo, independentemente do conteúdo programático."

Aliados de Marina veem na medida de Penna um indicativo de que não há mais espaço para negociações. "Sempre há uma vontade de que o PV se torne um partido moderno, que funcione de acordo com os ideais que defende, mas isso está se tornando cada vez mais difícil", disse ao Estado João Paulo Capobianco, que coordenou a campanha presidencial da ex-senadora.

Cartorial. Alguns aliados de Marina já dão como certa sua saída do partido. Outros, no entanto, insistem que ainda há espaço para negociação. "A não renovação do diretório de São Paulo foi uma questão cartorial, e a Executiva vai se manter", disse o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), que se reuniu com o presidente do partido em Brasília e disse estar mais próximo de um entendimento. "Foi um encontro muito positivo. O Penna pareceu entender que o mandato dele é um mandato de transição."

Procurado pelo Estado, Penna não quis se manifestar.

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