Divulgação/Sinpoljuspi
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Ala onde menino dormiu em presídio no Piauí tinha 7 estupradores

Presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários afirmou que setor se localiza em uma área externa da cadeia

Juarez Oliveira, Especial para o Estado

06 Outubro 2017 | 19h26

TERESINA - O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (SINPOLJUSPI), José Roberto Pereira, afirmou nesta sexta-feira, 6, que no mesmo setor em que um menino de 13 anos foi encontrado dormindo dentro da Colônia Agrícola Penal Major César Oliveira, em Altos, no Piauí, havia sete detentos presos por crimes de estupro.

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Pereira disse que a ala em que a criança foi encontrada não fica dentro da carceragem da Major César, mas, sim, em uma área externa. "Lá é uma casa, que serviu de moradia para vários diretores, mas que de uns tempos pra cá a Secretaria de Justiça começou a colocar detentos - os motivos nós não sabemos", afirmou. 

"Como é uma área externa, nós agentes não temos como fiscalizar tudo o que acontece ali. Hoje, fizemos o levantamento e descobrimos que, dos 24 detentos que ficam neste local, sete respondem por crimes de estupro, ou seja, a criança ficou à mercê de diversos estupradores, incluído o José de Ribamar, que fica em um quarto sozinho, dentro desta casa", contou Pereira

O delegado do 14º Distrito Policial de Altos, Jarbas Lima, reafirmou nesta quinta-feira, 5, que o exame de corpo de delito feito no menor confirmou que não houve estupro, assim como em seu depoimento na delegacia o garoto negou que qualquer ato sexual tenha ocorrido entre ele e Ribamar Pereira.

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A Secretaria Estadual de Justiça do Piauí (Sejus) disse ao Estado que foi informada que o local onde o menor foi encontrado fica na horta, próximo à entrada da unidade, mas externa à carceragem da Colônia Agrícola Penal Major César Oliveira e que a Secretaria está "providenciando uma solução, para reforçar a segurança naquela área". 

'Sistema paralelo'

O presidente do sindicato afirmou ainda que o caso do garoto é apenas um registro de um problema bem maior no sistema prisional do Piauí. 

"Há um sistema penitenciário paralelo funcionando hoje no Piauí, em que presos ditos especiais ficam deslocados dos demais, em áreas fora da competência dos agentes. Estes presos se autogovernam e somente respondem à direção do presídio e à cúpula da Secretaria de Justiça", diz.

O presidente afirmou que esta diferenciação existe na Colônia Agrícola Penal Major César Oliveira, em Altos, na Casa de Custódia, em Teresina, e também nos municípios de Picos, Bom Jesus, Parnaíba, Floriano e Esperantina. Questionada sobre as declarações do sindicalistas, a Secretaria de Justiça não quis se manifestar.

 

 

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