Alagoas é exceção nas tendências da eleição para governador

Alagoas é um dos poucos Estados onde é possível fazer uma previsão com poucas chances de errar: o eleito já terá sentado na cadeira de governador. Os três candidatos empatados tecnicamente em primeiro lugar foram governadores ou estão no exercício do mandato.

Análise: José Roberto Toledo, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Fernando Collor governou Alagoas antes de ser presidente. E Ronaldo Lessa (PDT) antecedeu Teotonio Vilela (PSDB). Os três empatam no currículo e no Ibope. A distância que os separa é quase nula: 29%, 28% e 27%, respectivamente.

É uma curiosidade, mas talvez seja também a explicação para Alagoas ser exceção nas duas principais tendências desta eleição. Teo Vilela é um dos poucos candidatos à reeleição que é bem avaliado (44% de ótimo/bom, contra 21% de ruim/péssimo, no Ibope) e não lidera sozinho.

Uma hipótese para isso é que os alagoanos estejam divididos diante de três políticos locais de projeção nacional e com experiência administrativa.

O Estado também vai contra a corrente predominante nas disputas estaduais de definição já no primeiro turno. A 20 dias da eleição, é improvável que um dos três líderes dispare e chegue a mais de 50% dos votos válidos.

É o oposto do que acontece no Tocantins. Lá, a eleição é de turno único. São apenas duas chapas: quem chegar na frente terá, portanto, mais da metade dos votos válidos e estará eleito. A disputa confronta as duas facções que comandam o Estado praticamente desde a sua criação.

De um lado, o sucessor do ex-governador Marcelo Miranda, Carlos Gaguim, ambos do PMDB. Do outro, o ex-governador Siqueira Campos (PSDB). Na pré-campanha, o veterano tucano liderava com folga, mas o cenário mudou após o início da campanha na televisão.

Escorado por uma avaliação positiva (48% de ótimo/bom contra 16% de ruim/péssimo) e pelo apoio do presidente Lula, Gaguim reagiu e, agora, a disputa é voto a voto. Ambos cresceram desde a rodada anterior, mas o empate técnico se mantém: 47% a 44% para o peemedebista.

As disputas pelas duas vagas no Senado está aberta tanto no Tocantins quanto em Alagoas. João Ribeiro (PR, 47%) e Marcelo Miranda (PMDB, 41%) estão na frente na corrida tocantinense, mas Paulo Mourão (PT) e Vicentinho Alves (PR), ambos com 31%, mantêm suas chances.

Em Alagoas, Benedito de Lira (PP) chegou a 35% e ameaça a volta de Heloísa Helena (PSOL) ao Senado: ela está com 41%. Renan Calheiros (PMDB) cresceu 12 pontos e agora lidera sozinho a disputa, com 54%, segundo o Ibope.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM ESTATÍSTICAS

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