Alca tem que ser negociada, afirma Cristovam

O candidato do PDT à Presidência da República, senador Cristovam Buarque, afirmou nesta sexta-feira que a questão da Área de Livre Comércio das América (Alca) não pode deixar de ser discutida pelo governo brasileiro. Durante participação em sabatina com presidenciáveis, promovida pelo Grupo Estado, ele disse que a reunião de países em bloco é um processo natural em todo o globo e que não há maneira das nações se isolarem das demais."Não dá para a gente correr atrás da Alca ou correr na direção contrária da Alca. Tem que estar na pauta e a gente negociá-la", frisou Cristovam, acrescentando que a Comunidade Econômica Européia levou 50 anos para se consolidar. "A gente vai caminhar um dia para a integração. Não tem jeito dos países hoje se isolarem. Portanto, não tem que ter medo da Alca e nem correr para os braços dela", insistiu.Além da Alca, Cristovam mencionou a importância do fortalecimento do Mercosul, da integração com países da África, além de parcerias com a Índia e a China. Destacou também que é positiva a intenção do Brasil obter uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mas ressaltou que essa conquista não pode ser feita "a qualquer preço".Segundo ele, não há críticas à política externa do governo atual, mas detalhes diplomáticos que necessitam de melhores cuidados. "A política externa brasileira não está mal no governo Lula, a diplomacia é que tem falhado muitas vezes", disse, citando episódios recentes que geraram desgastes, como os verificados com a Argentina sobre o Conselho de Segurança. "Se isso fosse incomodar a Argentina, é melhor não ter a cadeira. É um parceiro que a gente vai ter por séculos adiante", avaliou. "O Brasil não tinha condições de ter um protagonismo como se criou a expectativa. A gente tem que ser mais modesto na política externa", ressaltou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.