Alckmin cancela agenda e improvisa corpo a corpo no Rio

O último corpo a corpo do candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, que seria realizado no comércio popular do Saara, no centro do Rio, limitou-se a um passeio pelo Aeroporto Santos Dumont. Alckmin resolveu cancelar sua agenda externa deste sábado, consternado pelo acidente com o avião da Gol. "Estou torcendo muito pelas famílias dos passageiros e transmitimos nossa solidariedade".Pela agenda inicial, depois do Rio, o candidato tucano seguiria para Curitiba, mas preferiu voltar para São Paulo. E acabou transformando sua passagem na cidade em rápido encontro com políticos e um café no aeroporto, onde encontrou-se, por acaso, com o cantor Supla, filho do senador petista Eduardo Suplicy. Em breve declaração no aeroporto, Alckmin afirmou que as fotos do dinheiro que seria utilizado para comprar um dossiê contra ele e o candidato ao governo paulista, José Serra, deveriam ter sido reveladas antes."Eu acho que a população já estava sabendo disso e acho que a foto deveria ter sido publicada há muito tempo. O problema não é a foto, o problema é o fato. E o que a população fica indignada é de não saber das coisas. Estão escondendo. De quem é o dinheiro? Não são R$ 10. É R$ 1,7 milhão, uma fortuna. E os dólares, de quem são? Quem são os donos das contas", questionou o candidato.Segundo turnoAlckmin relatou que pesquisas internas do PSDB indicam, há mais de 10 dias, que haverá segundo turno. "Vamos aguardar amanhã (domingo). Só tire as sandálias quando chegar à beira do Rio. Humildade, humildade, humildade. Vamos aguardar amanhã o povo se manifestar. E acho que o povo brasileiro vai dar um recado para o Lula. Foi muito desprezo com a população brasileira. Esses escândalos que ocorreram, esse último do dossiê, a ausência no debate. Isso é muito desrespeito à população brasileira", afirmou.Antes de fazer o mini corpo a corpo no Santos Dumont, Alckmin voltou a criticar o governo do PT e o escândalo do dossiê. "Nós tivemos lamentavelmente utilização da máquina pública, uma mistura indevida de governo e partido. Só que às vezes esperteza demais come o dono", declarou.Rio de JaneiroAo ser questionado porque escolheu o Rio para o último encontro com eleitores, o candidato tucano afirmou que a cidade resume o espírito do País. "Nosso compromisso é o de ser o presidente do Rio, que representa a alma e a síntese do nosso País. Nossa mensagem foi bem recebida. Estamos indo para o segundo turno para ser um instrumento do povo brasileiro, para a gente poder ter política séria, honesta e não ter essa praga de corrupção. Ter governo que funcione , eficiente", afirmou Alckmin.O candidato tucano também criticou as tentativas do PT de impugnar sua candidatura. "Eu acho que é interessante a gente refletir sobre isso: o PT e o Lula, que achavam que iam ganhar no primeiro turno, com uma margem enorme, estavam de sapato alto, agora querem impugnar a minha candidatura. Querem ganhar no tapetão. É ridículo", disse.SuplaO candidato do PSDB cumprimentou passageiros que aguardavam seus vôos, beijou crianças e chegou a fazer um sinal de força com as duas mãos juntas em direção aos funcionários da Gol que estavam no balcão de check-in. Quando foi tomar café, Alckmin encontrou-se com o cantor Supla, filho do senador Eduardo Suplicy e da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy."Eu voto no Lula, apesar das denúncias. O Lula deve ter feito algo de bom, porque, caso contrário, não teria tanta gente votando nele", afirmou Supla a repórteres, depois de ter cumprimentado o candidato tucano. Supla estava no Rio para participar do festival de cinema do Rio. Após tomar seu café, Alckmin despediu-se de Supla e desejou felicidades aos pais do cantor. A gentileza foi retribuída por Supla, que se despediu do candidato o chamando de "mestre". Questionado se considerou sincera a lembrança de Alckmin, Supla não titubeou. "Político é isso aí, tudo igual".

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