Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Alckmin chama PP de Maluf para comandar CDHU

Aliança de tucano com adversário histórico de Covas é primeiro passo para união de partidos na disputa pela Prefeitura paulistana

Julia Duailibi e Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2011 | 00h00

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), convidou o PP, do deputado Paulo Maluf, para fazer parte do governo paulista. O partido, que também compõe a base governista da presidente Dilma Rousseff (PT), indicará o novo presidente da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

O PP sugeriu para o cargo o economista Antonio Carlos do Amaral Filho, consultor e atual presidente do Instituto Milton Campos, ligado ao PP, em São Paulo. O nome foi submetido ao Palácio dos Bandeirantes, que o considerou um quadro "técnico" e acatou a sugestão. Alckmin, no entanto, ainda não anunciou a decisão, embora a informação já tenha sido repassada a integrantes do governo e aos próprios líderes do PP no Estado.

O governador foi o primeiro a entrar em contato, por telefone, com Maluf, presidente do PP em São Paulo, para convidar a legenda a fazer parte do governo paulista. Encaminhou, então, as conversas para o secretário-chefe da Casa Civil, Sidney Beraldo, que recebeu os integrantes do partido no Palácio dos Bandeirantes. Os detalhes das negociações foram fechados semana passada.

"Acho que a gente pode prestar um bom serviço na CDHU. Principalmente porque, em Brasília, já temos o Ministério das Cidades. Dá para fazer um trabalho articulado entre as duas pastas", declarou o secretário-geral do PP paulista, Jesse Ribeiro, numa referência ao ministro Mário Negromonte (BA), que é o titular da pasta responsável no governo federal pela construção de moradias populares.

O governo paulista vê com bons olhos o aumento de parcerias com o Palácio do Planalto no setor de habitação. O Estado prevê investir R$ 1,8 bilhão com a construção de casas populares neste ano. Os recursos serão aplicados por meio da CDHU. O órgão está vinculado à Secretaria de Habitação, comandada por um dos maiores aliados de Alckmin, Silvio Torres.

Eleição. A entrada do PP no governo paulista deve amarrar o partido na aliança com os tucanos em torno da disputa pela Prefeitura de São Paulo, no ano que vem. Os tucanos temiam que o partido, com trânsito também com o PT nacional, pudesse apoiar o candidato a ser lançado pelo Palácio do Planalto. A articulação em torno da CDHU é uma tentativa de prestigiar a legenda e evitar que o PP engorde o tempo de TV de adversários do PSDB na campanha de 2012.

Na prática, o PP já faz parte da base governista de Alckmin na Assembleia paulista. O deputado estadual Antonio Salim Curiati, do PP, costuma acompanhar o governo nas votações.

"O PP é um partido que cumpre acordos. O PP nacional está na base do governo do PT. Em São Paulo, respeitamos o resultado da eleição. Fomos adversários no passado, mas o resultado das urnas respeita-se", completou Ribeiro. Na eleição de 2010, o partido foi adversário do PSDB de Alckmin. Amaral Filho chegou a integrar a equipe de Celso Russomanno, candidato do PP na disputa estadual de 2010.

O governador Mário Covas, principal referência política de Alckmin, foi o maior adversário de Maluf no Estado. Alckmin e Maluf, no entanto, protagonizaram embates e aproximações nos últimos anos. Foram adversários nas eleições de 2000 e 2008, para a Prefeitura, e de 2002, para o governo do Estado.

Aliados

Além do PP, outras legendas que compõem a base governista federal fazem parte do governo tucano em São Paulo. O PSB, por exemplo, indicou o atual secretário de Turismo, Márcio França.

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