Alckmin compara PCC às Farc e diz que fará cortes no governo

O candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira, em entrevista à rádio CBN, que os ataques que a Primeiro Comando da Capital (PCC) fez neste ano no Estado de São Paulo tiveram natureza político-eleitoral. Na mesma entrevista, Alckmin também adiantou que fará cortes no governo, medida que explicou ser possível.Sobre o PCC, Alckmin considerou: "Claro que tinha natureza político-eleitoral. Isso aí não foi por acaso. Tem lógica bandido seqüestrar jornalista para pôr uma fita na televisão? O que ele ganha com isso? Claro que era uma guerra de opinião pública, para jogar a opinião pública contra o governo, com evidente objetivo de natureza político-eleitoral", afirmou.Ao ser questionado se, com a declaração, estava acusando algum partido político de participação nos ataques, Alckmin recuou. "Não (natureza) partidária, eleitoral. Claro que tem beneficiários disso", minimizou.FarcEm seguida, Alckmin comparou o PCC às Farc, da Colômbia. "As Farc começaram na política e migraram para o crime. No Brasil é o contrário: o crime está migrando para a política", comparou.O candidato negou que tenha menosprezado o PCC quando governador do Estado. "Eu não tenho medo de cara feia. Crime organizado se enfrenta. Aqui não tem omissão. Nós enfrentamos essas organizações criminosas", afirmou. "O Estado foi duro, pegou os líderes do PCC e colocou em penitenciárias de segurança máxima, em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Não tem ninguém do crime organizado fora da cadeia. Está todo mundo preso. Claro que testam o governo, aprontam, fazendo terrorismo, mas fomos firmes", garantiu.Alckmin citou ainda números que mostravam que a criminalidade caiu em São Paulo e disse que a prioridade no País é liberar os gastos com segurança pública e combater o tráfico de drogas e armas. "O governo federal tem que ter polícia de fronteira, inteligência, Polícia Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica. É isso que eu vou fazer para combater o tráfico, a entrada da drogas e de armas", prometeu.ReformasO tucano adiantou que não fará uma nova reforma da previdência, não implementará idade mínima para aposentadoria, não desvinculará o salário mínimo desses benefícios e manterá uma política de reajustes acima da inflação para as aposentadorias. Afirmou, no entanto, ser possível cortar gastos no governo, apesar de as despesas da Previdência Social até agosto, de R$ 100,88 bilhões, e os gastos com pessoal, de R$ 66 bilhões, somarem mais de dois terços do total de despesas do governo no período, de R$ 242 bilhões. Segundo o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, o restante, cerca de R$ 70 bilhões, onde Alckmin pode fazer cortes, são despesas de custeio."Não sou da tese de que cortar gasto é só na Previdência e no pessoal. No ano passado, pagamos juros de R$ 156 bilhões. É a bolsa-banqueiro. O maior programa de concentração de renda do mundo", afirmou. Alckmin disse que a solução para o déficit da Previdência Social é o crescimento do País. "Se o Brasil crescer, tem mais gente trabalhando, tem salário maior e a previdência vai arrecadar mais. Além disso, mais da metade da mão-de-obra economicamente ativa está na informalidade. É óbvio que ninguém está pagando nada. Se reduzirmos a informalidade, vai melhorar a arrecadação. E vamos combater a fraude e a sonegação" explicou.Ainda sobre o assunto, o candidato disse que o problema não é o INSS, mas sim a previdência pública, cujo déficit, segundo ele, é de R$ 80 bilhões, o dobro do INSS. "O INSS distribui renda. São 25 milhões de pessoas que recebem uma média de dois salários mínimos. Do outro lado, temos três milhões de aposentados do setor público com salários altíssimos", comparou.Ele garantiu que, se for eleito, vai lutar pela aprovação de lei complementar que assegure que novos servidores públicos contribuam com fundo de pensão caso queiram ganhar benefícios que superem o teto do INSS, de R$ 2,8 mil. Entretanto, reconheceu que esse ajuste terá resultado somente a médio e longo prazo. "Não tem como reduzir isso. São direitos adquiridos", admitiu.Alckmin criticou o governo por ter vetado o aumento de 16% para os aposentados, mas ao ser questionado se daria o reajuste se fosse presidente, recuou. "Eu posso até dar parcelado, mas vou dar o máximo que puder."

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