Alckmin considera "barbaridade" posição de Lula diante de corrupções

Em palestra para a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMP), o candidato da coligação PFL-PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, criticou, nesta quarta-feira, 06, a declaração feita um dia antes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante comício em Caruaru (PE). No discurso, Lula disse que "democracia não se faz só com coisa limpa", numa referência às denúncias de corrupção no seu governo. "Quem pensa uma barbaridade dessas não devia fazer política", rebateu Alckmin. Segundo o tucano, o Brasil "pode e deve ter um governo honesto, que não compactue com nenhum tipo de corrupção"."O Lula não vai a debate, não presta contas, não dá explicação do que ocorreu no seu governo", afirmou Alckmin, ao se referir às denúncias do mensalão como produto "do viés autoritário do governo Lula"."É querer submeter um outro poder ao Executivo sem o exercício do diálogo", criticou Alckmin, ao reafirmar que o seu eventual governo cuidará para que haja equilíbrio, harmonia e respeito entre os três Poderes.Indagado sobre seu desempenho nas pesquisas, Alckmin repetiu que acredita em um segundo turno. "Essas pesquisas não me impressionam muito, porque as grandes mudanças só ocorrem nos últimos 15 dias da campanha eleitoral", afirmou.ReeleiçãoEm dificuldades eleitorais no Sudeste, o candidato tucano fez um aceno aos dois principais nomes do partido para a disputa presidencial de 2010 - o governador de Minas, Aécio Neves, e o candidato ao governo de São Paulo, José Serra. Foi um sinal de que abrirá mão da reeleição para um sucessor tucano, caso vença a atual disputa. "Reeleição é um pouquinho mais do mesmo. É por isso que não acredito em reeleição".Ele insistiu que as reformas e ações importantes do governo que não são feitas no primeiro ano de mandato dificilmente o serão num segundo governo. "Se o Lula não fez reforma tributária, reforma política e reforma fiscal, como vou acreditar que fará num segundo mandato?", indagou ao avaliar que votar em Lula é o mesmo que ficar esperando 2010.Há pouco mais de um mês Alckmin havia dito que reeleição é uma decisão do Congresso. Nesta quinta-feira, no entanto, ele acrescentou que, "no que eu puder ajudar, ajudarei para acabar com a reeleição".Segundo Alckmin, Lula, em vez de fazer as reformas, ficou "surfando" nas reformas aprovadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Ele aproveitou para fazer um elogio ao governador mineiro: "O Aécio fez as reformas no começo do governo e agora vai dar continuidade a elas".Ele fez também questão de explicar que o seu caso no governo de São Paulo é diferente, porque não havia cumprido um primeiro mandato por inteiro nem havia passado por uma eleição, já que assumira na condição de vice do governador Mário covas, que morreu um ano antes de concluir o mandato.

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