Alckmin critica Dilma, enquanto Anastasia faz afago na presidente

Afinado com José Serra, paulista reclama do PT, mas mineiro se diz junto do Planalto, que terá[br]escritórios em MG e RS

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

Um dia depois de o candidato derrotado a presidente José Serra (PSDB) ter feito duras críticas ao governo federal, via Twitter, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aproveitou uma visita a Botucatu, a 238 km da capital, para fazer, também ele, cobranças a Dilma Rousseff.

O tucano criticou o mau estado das rodovias federais, a redução dos repasses ao Sistema Único de Saúde (SUS) e previu um crescimento menor da economia para 2011. Em direção contrária, o governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) visitou a presidente, em Brasília.

No encontro, Anastasia, aliado direto de Aécio Neves, no PSDB, agradeceu a ajuda federal às cidades mineiras atingidas por enchentes e, de quebra, convidou Dilma para ser oradora oficial das solenidades no Dia de Tiradentes, 21 de abril, em Ouro Preto. Ela aceitou. A diferença de tom entre os dois governadores parece espelhar, na prática, a situação vivida por Serra e Aécio.

Sem contundência, no estilo moderado de sempre, mas com firmeza, Alckmin aproveitou uma pergunta sobre pedágios, em Botucatu, para dizer que a decisão de reduzi-los, anunciada em campanha, já está sendo analisada - mas ponderou que não é justo comparar as tarifas, visto que as rodovias federais quase não têm investimento. "O governo federal primeiro duplicou as estradas com dinheiro público para depois implantar os pedágios. Então, é apenas manutenção, enquanto no nosso programa são investimentos relevantes, que geram empregos."

Ao comentar a saúde, numa visita às obras de dois hospitais, o governador voltou a alfinetar: a maioria dos hospitais filantrópicos do Estado está em crise, observou, porque a tabela do SUS não é corrigida. "Todo mundo que atende pelo SUS tem um prejuízo enorme", atacou. "O governo federal, que participava com 51% do financiamento do SUS, hoje entra com 41% e tem sobrecarregado as prefeituras."

Prefeitos e políticos presentes não deixaram de notar o esforço do governador para exibir um estilo próprio. "Governo moderno é o que ouve e interage, com isso a gente erra menos", disse Alckmin, ao repetir que não está fazendo auditorias no governo de Serra. Mencionou menos realizações, contou casos e usou citações de ex-prefeitos e ex-vereadores.

"Parceiro". Na contramão dos tucanos paulistas, Anastasia teve com Dilma, em Brasília, um encontro em tom bem diferente. Discordou das queixas de que seu Estado estaria sendo esquecido, pois a União estaria preocupada apenas com o Rio de Janeiro. "Houve atenção a Minas, mas o Rio viveu uma tragédia", comparou. E adiantou que um pedido de recursos, de R$ 250 milhões, já está sendo avaliado no Ministério da Integração Nacional.

Questionado sobre as primeiras semanas do governo petista em Brasília, ele disse ter "uma avaliação positiva", citando de novo, como exemplo, a colaboração no apoio às vitimas das enchentes. "Vamos torcer para que tudo dê certo", completou.

A presidente o informou, ainda, de que pretende instalar em Belo Horizonte um escritório de representação do governo federal. "Será bom para o Estado", comentou o governador mineiro. Depois, ele traçou a linha de conduta que considera adequada nas relações políticas: "Temos de pensar em cooperação federativa. A oposição vai se dar no Congresso, no dia a dia, e o meu objetivo aqui é mostrar que o governo de Minas é parceiro nas políticas públicas de interesse do Estado." Sobre as relações entre PT e PSDB, observou que "questões politicas serão discutidas no Congresso e terão seu tempo e hora adequados". / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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