Alckmin defende Serra e liga Lula a escândalos

O ex-governador de São Paulo e candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, classificou hoje de "descabida" as declarações do seu rival, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que o candidato ao governo de São Paulo pelo seu partido, José Serra, foi preconceituoso em relação aos nordestinos ao afirmar que o problema da educação no Estado estava ligado à migração.Segundo Alckmin, na realidade foi o presidente que deu as costas ao povo brasileiro, à Justiça e aos bons costumes, a partir do momento que trabalhou ao lado de vários parlamentares e assessores envolvidos em escândalos de corrupção. "Isso que é grave", disse, lembrando do caso Waldomiro, do Mensalão e, mais recentemente, da máfia dos Sanguessugas.Questionado sobre a denúncia de que o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) estaria envolvido no esquema da máfia dos Sanguessugas, feita à revista Veja pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, Alckmin disse que é preciso primeiro ouvi-lo para depois julgá-lo. O ex-governador disse que o seu partido já teve um caso parecido com um deputado no Rio de janeiro, que foi expulso e desligado do partido.O candidato classificou ainda de "arrogante" a declaração de Lula de que a eleição já está ganha, ressaltando que a campanha está só começando. "Isso é subestimar a inteligência das pessoas, porque o debate está só começando", afirmou. Alckmin disse ainda que a eleição terá segundo turno, o que na sua opinião é bom para o eleitorado, que poderá comparar melhor os postulantes ao Palácio do Planalto. "Tem candidato aí com salto número 15. Eu vou com as sandálias da humildade", brincou.Otimista, o ex-governador disse que considera o segundo turno é uma nova eleição e que, por isso, é importante ter tranqüilidade. "Não vou fazer uma campanha errática, baseada em pesquisa, mas falando a verdade para a população, mostrando o que pode ser feito e que o Brasil pode andar muito melhor".O candidato reconheceu que não é conhecido no Brasil, mas afirmou que sua mensagem está sendo bem recebida pelo povo, que segundo ele quer conhecer suas propostas e saber o que já fez como governador.O candidato esteve em almoço beneficente organizado pela Irmandade de São Benedito, na quadra da Escola de Samba Império da Casa Verde, em São Paulo. Conversou com a comunidade, almoçou feijoada e dançou com uma senhora ao som da música Ébano, de Alcione.Na ocasião, o candidato destacou à imprensa que a população negra brasileira deverá ter tratamento diferenciado no seu governo. "Já temos uma experiência aqui em São Paulo, onde os alunos de escola pública e afro descendente ganham pontos na classificação do Enem", afirmou. Segundo Alckmin, o programa elevou em 57% a participação de estudantes negros, pardos e índios na Unicamp. O objetivo, disse, é estender o modelo para todo o Brasil. A exemplo do que fez em São Paulo, Alckmin disse que quer abrir para todo o País a titulação das comunidades de quilombos, o que na sua opinião é importante para preservar a cultura nacional.O candidato do PSDB afirmou que o meio ambiente é outro tema de destaque no seu programa de governo. Segundo ele, o maior inimigo nesse campo é a burocracia. Segundo ele, a demora para obtenção de licenças ambientais empurra muitas empresas para a clandestinidade. "Vamos dar agilidade a esse trabalho." O tucano disse também que pretende estimular o uso de energia limpa, as termelétricas e o uso do gás natural, como forma de reduzir a poluição.

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