Alckmin depõe e diz que empresário corria risco

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o secretário de Segurança Pública de SP, Marco Vinício Petrelluzzi, e o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Rui César Melo, prestaram depoimento hoje no processo dos seqüestros de Patrícia Abravanel e de seu pai, o empresário Silvio Santos, ocorridos, respectivamente, em 21 e 30 de agosto. O juiz Adilson de Araújo, da 30.ª Vara Criminal, do Fórum da Barra Funda, queria saber o que aconteceu no segundo seqüestro, quando Silvio foi feito refém, em sua casa, por Fernando Dutra Pinto.Além deles, mais cinco testemunhas foram ouvidas: o aposentado Antonio Sebastião Pinto, pai de Fernando e Esdras, a médica Silvana Nigro, que atendeu Fernando na casa de Silvio, Jociliana Bernadete Felipe, Edna de Souza e Nilza Aparecida de Paula, amigas do acusado.O primeiro a ser ouvido foi Alckmin. Ele chegou às 8h50 e saiu às 9h20. O governador relatou que estava em Jundiaí(SP) quando foi informado que o empresário pedia sua presença. Segundo Alckmin, Silvio queria que ele fosse lá para garantir sua integridade física. O governador, então, voltou a São Paulo, avaliou a situação e resolveu ir até a casa do empresário.Petrelluzzi, por sua vez, disse que recebeu um telefonema de Silvio durante o seqüestro. O empresário teria dito que Fernando fazia ameaças e exigia a presença do governador. Silvio teria advertido que, caso Alckmin não fosse até lá, poderia haver uma "carnificina". O secretário afirmou ainda que, pela conversa, avaliou que Silvio corria risco de vida.Em seu depoimento, o comandante da PM relatou como transcorreram as negociações com o seqüestrador. As outras testemunhas não acrescentaram fatos relevantes.DivergênciaDepois dos depoimentos, tanto os advogados de defesa como a promotoria saíram acreditando em vitória. Para a advogada de Fernando, Simone Caparroz, o depoimento das autoridades vai ajudar a descaracterizar o crime de sequëstro. "Esse tipo de delito só se caracteriza quando o acusado faz alguma exigência, como dinheiro ou meios de fuga", explica. "Fernando não fez nada disso. Só foi à casa de Silvio com o intuito de se entregar."Para o promotor, esse argumento é absurdo. "O seqüestrador queria fugir e fez exigências, como um helicóptero."Com os depoimentos de hoje, o juiz encerrou a fase de instrução do processo. Agora, a defesa e a promotoria poderão pedir novas diligências. Se os prazos forem respeitados, a sentença dos acusados - além de Fernando, respondem ao processo Esdras, Marcelo Batista Santos, Luciana Santos Souza e Tatiana Pereira Silva - deverá ser proferida até fevereiro.

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