Alckmin: "Descontrole permitiu surgimento da Máfia dos Sanguessugas"

O candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse que a falta de controle do governo federal é que possibilitou o surgimento da Máfia dos Sanguessugas. Em entrevista ao programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes, ele prometeu usar os pregões eletrônicos para auxiliar as compras públicas, a exemplo do sistema implementado no governo paulista. "É um absurdo hoje, com tecnologia de informação, não se utilizar o pregão eletrônico ou o presencial. Como é que pode alguém comprar uma ambulância que não seja por compra eletrônica?", alfinetou Alckmin. Segundo o ex-governador paulista, o Estado de São Paulo economizou R$ 4 bilhões nos últimos anos com a informatização de compras. "Para mim, não há governo ético se ele não é eficiente."Alckmin disse que a crise provocada pelo PCC se deveu à decisão do Estado de São Paulo de partir para o confronto com o crime. "Se São Paulo não tivesse enfrentado de maneira dura o crime organizado, talvez não tivesse rebelião nenhuma. Há uma reação do crime", sustentou o candidato. Ele citou trecho de gravação de conversa de um preso feita em uma penitenciária de Minas Gerais, em que um certo Fernando Cabeção teria demonstrado temor com a candidatura do peessedebista: "Se esse homem ganhar aqui no Brasil, ele põe até cadeira elétrica."Ele voltou a garantir que a presença da Força Nacional não seria a solução para a crise de segurança no Estado de São Paulo. Mas disse que gostaria de ter a ajuda do governo federal. "É só tirar os 1.500 presos federais que estão no Estado", exemplificou. "Nós queremos ajuda, mas ajuda efetiva que possa encaminhar melhor o problema", frisou. Alckmin pediu ainda mudanças na legislação para enfrentar o crime organizado e reforço na polícia de fronteira, com a Polícia Federal e Forças Armadas. "Quando eu digo que eu vou enfrentar o crime, não é só o líder do tráfico de drogas, mas também o crime do colarinho branco."ReformasO ex-governador paulista prometeu que, se for eleito, encaminhará rapidamente as reformas política e tributária para o Congresso. E adiantou que, pelo menos em um primeiro momento, a reforma política se restringirá à questão da fidelidade partidária. "Eu pretendo em janeiro, antes da posse dos deputados, mandar a reforma política e a reforma tributária", adiantou. Porém, mais uma vez não quis se comprometer com o fim da reeleição. "Eu entendo que se nós tivermos uma boa regulamentação, sem esse abuso absurdo do uso da máquina pública, a reeleição não tem problema", ponderou Alckmin. "Esta não é uma questão programática. Tem aspectos positivos e negativos e cabe ao Congresso decidir."O candidato do PSDB disse que o ritmo de queda da taxa de juros poderia ser acelerado se o governo melhorasse a própria política fiscal reduzindo as despesas. "(A política fiscal) É muito ruim", criticou. "Eu faria um ajuste fiscal muito duro, pelo lado das despesas, procurando melhorar a qualidade do gasto público. Até para investir mais", prometeu. Para ele, a manutenção da política de estabilização foi uma prova de maturidade, mas voltou à carga contra o governo Lula: "Eu entendo que o governo atual está errado, porque a receita dele é aumentar gastos e aumentar impostos."PrevidênciaO entrevistado do Canal Livre criticou também o veto ao reajuste dos aposentados aprovado pelo Congresso. "Depois que o governo liberou R$ 20 bilhões em gastos, falou que não tinha dinheiro para os aposentados", questionou. E se comprometeu a melhorar as contas da Previdência, incluindo a regulamentação da reforma da previdência pública que está parada há três anos. "O déficit da Previdência do INSS é de R$ 40 bilhões, só que são 24 milhões de aposentados e pensionistas", ponderou. E o déficit do setor público da União é de R$ 40 bilhões e mais R$ 40 bilhões dos Estados e municípios. É o dobro do INSS e ninguém fala nada."O candidato do PSDB disse que o caminho para que o País retome o crescimento sustentado passa pela redução da carga tributária, queda dos juros e mudanças no câmbio (embora ressalve ser favorável à manutenção do câmbio flutuante). "Não há uma solução só, mas um conjunto de reformas que fazem com que o Brasil possa ser muito competitivo para crescer no mundo globalizado", diagnosticou. Por fim, comemorou a queda do seu índice de rejeição nas pesquisas, que caiu pela metade de maio a julho. "Eu entendo que é importante. Na medida em que ficamos mais conhecidos acho que a rejeição cai, pois há certa rejeição pelo desconhecimento", justificou. "E isso é importante porque em um segundo turno ela tem um grande peso. Pesquisa é momento, mas eu recebo com entusiasmo."

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