Alckmin deve partir para o ataque contra Lula, diz analista

O cientista político Carlos Melo, professor do Ibmec São Paulo, acredita que o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, deve partir para o ataque nesse segundo turno e desconstruir a imagem de Lula. "Me parece que é o único caminho para o (ex) governador Alckmin", disse em entrevista ao Broadcast Ao Vivo.Segundo ele, esse deverá ser o tom do primeiro debate entre os dois candidatos - Alckmin e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - na TV Bandeirantes, no domingo. Se Alckmin irá partir para o ataque, Lula estará na defensiva. "O presidente Lula está há 20 anos nessa vida e enfrentou vários debates. Acho pouco provável que ele fique apanhando o tempo todo sem revidar", afirmou. E sua capacidade em se defender dos ataques irá contar muitos pontos a favor ou contra Lula. "(O eleitor) vai avaliar a capacidade de Lula de se defender".Crescimento em pesquisaSegundo o especialista, as próximas pesquisas de intenção de voto para presidente da República ainda poderão trazer alguma vantagem para Alckmin."Acho que a gente ainda pode esperar alguns resquícios do 1º turno. Nesse caso, é possível que a gente ainda veja algum aumento do candidato Alckmin", observou. Esta noite a TV Globo deve divulgar no Jornal Nacional o primeiro levantamento oficial do segundo turno, encomendado ao Datafolha.Melo, no entanto, não descarta a possibilidade de que esses resquícios sejam varridos pelo apoio a Alckmin anunciado pelo casal Garotinho - o ex-governador fluminense e presidente do PMDB do Rio, Anthony Garotinho e sua mulher, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus (PMDB) - em encontro esta semana. Para Melo, o encontro foi "desastroso". "O governador Alckmin cometeu um erro de campanha, que foi (esse) encontro", avaliou. "Alckmin foi pouco precavido e, diria, pouco experiente também", acrescentou. Para o cientista político, o equívoco foi a foto tirada do candidato tucano junto do casal Garotinho, que gerou muita polêmica e fez com que o prefeito do Rio de Janeiro César Maia (PFL) e a candidata ao governo do Rio pelo PPS, Denise Frossard, quisessem retirar apoio dado a Alckmin. Após várias conversas entre os partidos aliados e o PSDB, Maia resolveu retomar seu apoio e Denise não informou se voltará a fazer campanha para Alckmin, como no primeiro turno. "Na verdade o apoio é coisa normal, mas a foto acabou sendo um erro. (Ela) deu pretexto para que a oposição falasse e os aliados no Rio agissem de forma destemperada. O símbolo é mais que o fato às vezes", disse.Sem combustívelPara Carlos Melo, é pouco provável que o candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB-SP) consiga crescer nas regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula está mais forte, como Norte e Nordeste. "Pode ser que Lula ainda cresça um pouco no Nordeste", avaliou na entrevista. Segundo ele, a disputa será mais acirrada no Sudeste. "A batalha se dará mesmo no Rio e em Minas Gerais", disse. Melo acredita que o desafio de Lula será não levar uma goleada muito grande de Alckmin no Estado de São Paulo, onde Alckmin tem mais votos.Ele acrescentou ainda que Alckmin deve se manter na preferência do eleitor na região Sul. "No Sul, há um forte sentimento anti PT", explicou. Com relação à saída de ex-presidente do PT Ricardo Berzoini do partido, Melo vê como uma decisão acertada. "A saída de Berzoini é correta do ponto de vista político, mas é uma medida mais paliativa".De qualquer modo, Melo não vê que esse segundo turno será fácil para nenhum dos candidatos. "No segundo turno haverá uma luta ferrenha por votos", disse.

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