Alckmin diz que Barbiere tem o 'dever de contar o que sabe' sobre emendas

Legislativo. Governador paulista cobra publicamente o deputado estadual que comparou colegas a 'camelôs' por causa de suposta venda de emendas parlamentares ao Orçamento do Executivo; presidente da Casa ameaça abrir processo por 'quebra de decoro'

GUSTAVO URIBE, FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2011 | 03h05

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cobrou publicamente ontem explicações do deputado estadual Roque Barbiere (PTB) sobre as denúncias de venda de emendas ao Orçamento do Executivo. "E eu entendo que ele (Barbiere) tem o dever, como homem público, de apontar o que sabe."

Anteontem, o parlamentar, que faz parte da base governista, comparou a atividade da Assembleia Legislativa à de um "camelódromo" e alegou que teria alertado o secretário de Planejamento, Emanuel Fernandes, e a subsecretária de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Rosmary Corrêa, conhecida como "delegada Rose", sobre possíveis irregularidades na destinação das verbas do governo liberadas por emendas.

"Ele (Barbiere) não citou um caso para ninguém. Pode entrevistar a delegada Rose ou o secretário Emanuel Fernandes", disse Alckmin. O governador reafirmou que as informações sobre as emendas liberadas já foram publicadas pelo governo do Estado na internet. "E tudo está transparente", disse.

Alckmin (PSDB) também informou que a Corregedoria-Geral da Administração (CGA) encaminhará ao Ministério Público as conclusões da investigação sobre suposto esquema de recebimento de propina envolvendo o ex-deputado estadual José Antonio Bruno (DEM).

Duas testemunhas afirmaram à corregedoria terem presenciado o pagamento de propina em troca de emendas parlamentares no gabinete do então deputado, conhecido como Zé Bruno, na Assembleia Legislativa.

"O caso do ex-deputado José Bruno já está sendo averiguado pela corregedoria do Estado antes da convocação do deputado Roque Barbiere", afirmou. "O caso está sendo averiguado com rapidez e rigor e será encaminhado ao Ministério Público." Mas não definiu prazo.

Em agosto, Barbiere disse a um site de Araçatuba que entre 25% e 30% de seus colegas estariam ganhando dinheiro por meio da venda de emendas. O teor da entrevista foi revelado no dia 23 de setembro pelo Estado. Após a reportagem, o Ministério Público Estadual abriu inquérito para apurar o caso.

Munhoz. O presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), afirmou ontem que, se Barbiere não explicar por que comparou os parlamentares da Casa a camelôs, poderá ser processado por quebra de decoro. "Lógico que, se ele fala uma coisa e não explica, deixa de ser denunciante e passa a ser denunciado", afirmou. "É uma frase caluniosa, e uma calúnia contra a Casa significa quebra de decoro."

Munhoz foi acompanhado por líderes da base governista e da oposição no repúdio às declarações de Barbiere, que, ao ser questionado anteontem sobre o funcionamento do suposto esquema de venda de emendas, afirmou: "Isso é igual a camelô. Cada um vende de um jeito. (...) Cada um tem uma maneira, cada um tem um preço".

Os deputados aumentaram as críticas a Barbiere e cobraram dele a indicação de quem estaria exercendo a prática.

"Ele tem de dar nomes. Simplesmente ficar acusando e não dar nomes não é coisa de quem quer apurar, muito menos de quem quer ajudar nada", afirmou o líder do PSDB, Orlando Morando, que foi acompanhado pelo líder do PT, Ênio Tatto.

"Enquanto o deputado Roquinho não der nomes, fica sob suspeita toda a Casa. Isso a gente não admite. Ele tem de vir ao Conselho de Ética e apontar nomes. O único nome que ele está apontando, por enquanto, é no secretariado", afirmou Tatto.

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