Alckmin diz que Lula não aprendeu com a crise

O candidato da coligação "Por um Brasil Decente" (PSDB/PFL), Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário na corrida eleitoral, não vai conquistar os votos do PMDB, mesmo fazendo nomeações de última hora e na véspera da eleição. "Não adianta que isso não vai trazer votos", afirmou, acrescentando que constatou isso nos últimos dias, quando visitou Estados onde o PSDB está aliado ao PMDB, como Pernambuco, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. "Eu vi nesses lugares que os peemedebistas não aceitam o loteamento de cargos", afirmou o candidato do PSD/PFL. "O governo Lula não aprende nem com a crise. Foi exatamente nos Correios - onde houve a nomeação do presidente e de três diretores, publicada ontem no Diário Oficial - que tivemos a CPI, que tivemos o início de toda essa grande crise. E agora o presidente repete, na véspera da eleição, um loteamento".Ainda criticando as nomeações de Lula, Alckmin disse que é preciso ter responsabilidade na utilização da máquina pública e condenou o uso do aparelhamento do Estado para fins eleitoreiros.Alckmin foi recebido com festa em Barreiras, mas viu de perto a divisão de seus principais aliados (PSDB/PFL). De um lado do aeroporto, ficaram os pefelistas, comandados pelo governador Paulo Souto e pelo senador Antonio Carlos Magalhães (ACM); do outro lado, divididos dos pefelistas por um pequeno jardim, estavam o líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Júnior e o candidato do partido ao Senado, Antônio Imbassahy.Do aeroporto, Alckmin seguiu em carreata para a casa do prefeito da cidade, Saulo Pedrosa (PSDB). O único pefelista convidado pelo prefeito foi o governador Paulo Souto, que hoje receberia seu apoio formal. Mas, como ACM decidiu também ir a Barreiras para tentar abafar a festa tucana, o prefeito adiou o anúncio de apoio a Souto.DivisãoO PSDB está dividido, e uma ala, liderada pelo deputado João Almeida, está com Souto. Jutahy Júnior, por sua vez, já deixou claro que não vota na reeleição do pefelista para o governo estadual e tampouco explicita como vai comportar-se na eleição, uma vez que o adversário de Souto é o petista e ex-ministro do Trabalho e da Coordenação Política Jaques Wagner.Como Barreiras é um pólo agropecuário, Alckmin criticou a política agrícola do governo Lula e prometeu recuperar o setor agropecuário, que vive sua mais uma grave crise dos últimos 40 anos. "O governo Lula fez um grande esforço para desestruturar a agricultura brasileira, mas não vai conseguir", afirmou. "Nós vamos entrando aí, apoiando a agricultura. Esse é o nosso compromisso".Cerca de 150 motoqueiros e muitos carros participaram da carreata de Alckmin por Barreiras. Ainda nesta noite, o tucano manterá reuniões separadas com representantes do PFL e do PSDB. A programação está duas horas e meia atrasada. É que, antes de seguir para Barreiras, Alckmin participou, em Cuiabá, do velório do ex-governador de Mato Grosso Dante de Oliveira, que morreu ontem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.