Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Alckmin diz que não vai ''tolerar'' invasões

Polícia Militar começa a retirar militantes do MST que promovem operação ''janeiro quente'' na região do Pontal e na Alta Paulista

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

Em reação às invasões promovidas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem que o governo "não vai tolerar" nenhuma dessas ações. "A invasão é um desserviço à reforma agrária porque a boa bandeira da reforma fica maculada pelas invasões de propriedade, que causam uma enorme insegurança no campo", disse o governador.

Alckmin ressaltou que a desapropriação de terras é de competência do governo federal e que cabe ao Estado oferecer áreas devolutas para a criação de assentamentos rurais. "Orientei a secretária de Justiça, Eloísa Arruda, para acelerar esses esforços junto ao Poder Judiciário. Vamos apoiar a reforma agrária, mas não vamos tolerar invasão de terra", completou.

Dentro de sua operação "janeiro quente", o MST diz ter promovido no Estado 38 invasões entre dia 1º de janeiro e ontem. O número é contestado pelo Instituto de Terras do Estado (Itesp), órgão da Secretaria da Justiça, que contou apenas nove. Para o instituto, acampamentos montados fora de áreas particulares ou públicas não são registrados como ocupações.

Nas contas de José Rainha Júnior, líder do MST na região do Pontal do Paranapanema, as 38 invasões representam a soma das feitas por seu grupo e por outros quatro movimentos e sindicatos rurais. Seriam sete na região de Pontal de Paranapanema, entre domingo e ontem, mais 14 na Alta Paulista e 17 na área de Araçatuba.

A retirada dos invasores também já começou. Em cumprimento a mandado de reintegração de posse, a Polícia Militar desocupou a Fazenda Caru, em Rinópolis, numa operação que mobilizou até helicóptero. Fazendas em Presidente Bernardes e Iacri devem ser desocupadas hoje. Outras liminares foram obtidas pelos fazendeiros e Rainha diz que os militantes foram orientados a deixar os locais sem resistência.

Audiência. Em Brasília, o presidente do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, recebe hoje dirigentes do MST para discutir a retomada dos assentamentos no Estado.

No início do mês, os sem-terra ocuparam o escritório do Incra em Andradina. O superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires da Silva, participa do encontro, que não terá a presença de José Rainha Júnior.

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