Alckmin diz que PM está à disposição da Unicamp para fazer segurança do campus

Instituição tem autonomia para decidir se aceita o policiamento; aluno foi assassinado a facada durante uma festa clandestina dentro da universidade no sábado, 21 de setembro

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2013 | 17h22

CAMPINAS - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que vai colocar a Polícia Militar à disposição da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para fazer a segurança no campus. Ele lamentou o assassinato do estudante Denis Papa Casagrande, de 21 anos, morto a facada durante uma briga em uma festa no campus, mas lembrou que as instituições de ensino superior têm autonomia para decidir se autorizam ou não o policiamento nos campi.

"As universidades têm autonomia constitucional. A USP, em São Paulo, concordou em ter ação policial dentro do campus da universidade. Deu até uma grande polêmica, mas nós pusemos. Então, hoje, dentro da USP você tem presença da polícia. Porque a cidade universitária é muito grande", afirmou o governador, durante visita a Araras, interior de São Paulo.

"Vamos conversar com a Unicamp e nos colocarmos à inteira disposição", afirmou Alckmin. Ele afirmou que o assassinato está esclarecido. "Já se sabe a responsabilidade, se sabe quem foi a assassina."

Maria Tereza Pelegrino, de 20 anos, namorada do principal suspeito pelo crime, Anderson Mamede, de 20 anos, afirmou à Polícia Civil ter sido a autora da facada que matou o aluno do segundo ano de Mecatrônica, durante um briga em uma festa clandestina no campus.

O delegado de Homicídios, Rui Pegolo, tenta comprovar a autoria do crime por meio de imagens das câmeras de segurança. A arma - uma faca de cozinha - foi localizada enterrada em um ponto de ônibus dentro da Unicamp, após Maria Tereza levar os policiais ao local.

A presença de polícia dentro do campus é polêmica. Entidades como o Diretório Central Estudantil e grupos de docentes são contra a entrada militar na universidade, que conta com vigilância particular.

Crítica. "A reitoria está usando o crime para implementar medidas há muito tempo tentam executar, como a restrição física de acesso ao campus e a militarização do espaço", criticou uma das coordenadores do DCE, Diana Nascimento, de 23 anos. "Somos contra essas medidas. Em 2002, um aluno foi morto pela PM no campus de Limeira. Ele era o único negro ali e foi confundido com um assaltante."

O DCE informou que defende a discussão do assunto de segurança dentro do campus em outro momento e que uma saída seria a vigilância interna feita por profissionais contratos por concurso.

Protesto. Na segunda-feira, 23, familiares e amigos fizeram um protesto em frente à reitoria da Unicamp para pedir mais segurança no campus e um posicionamento sobre as festas não-autorizadas que acontecem na universidade.

"Queremos que a Unicamp reconheça que as festas ocorrem e que eles têm que dar o mínimo de segurança para a gente", afirmou a estudante Priscila Saraiva. A festa, chamada "Festival de rádios livres", que aconteceu no teatro de arena do Ciclo Básico, foi organizada pela Rádio Muda - rádio universitária que funciona dentro do campus - e tinha banda, convites espalhados pela cidade universitária e foi amplamente divulgada.

Segundo a Unicamp, desde 2009 toda festa no campus está sujeita a autorização prévia da universidade. Durante a reunião do Conselho Universitário nesta segunda-feira, a reitor José Tadeu Jorge afirmou que o assunto precisa ser discutido internamente.

Em nota, a Unicamp informou nesta quarta-feira que abriu uma sindicância para apurar as responsabilidades do caso e se solidarizando com a família.

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