Alckmin estuda redução do IR para salários até R$ 2 mil

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que estuda aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda para os assalariados. Em entrevista ao "Jornal das Dez", da Globo News, ele adiantou que estuda diminuir o imposto para salários inferiores a R$ 2 mil. O tucano prometeu ainda um ajuste fiscal no governo, com redução de gastos e diminuição da carga tributária. "É o que eu sei fazer", frisou. "Ajuste fiscal foi o que o Mário Covas e nós fizemos em São Paulo. Reduzimos impostos e o governo investiu mais."Alckmin prometeu um projeto nacional de desenvolvimento, com melhor gerenciamento dos gastos do governo, para o País voltar a crescer. "O governo brasileiro neste momento atrapalha o Brasil. É imposto demais, juros demais, estrada arrebentada, porto que não funciona, escola ruim, saúde que não funciona, segurança ruim e um custo Brasil altíssimo", criticou o candidato peessedebista. Ele citou a compra superfaturada de ambulâncias como exemplo de má administração pública. "No meu governo vai ser tudo compra eletrônica", garantiu. "Não tem sentido comprar mais nada que não seja por compra eletrônica."O candidato afirmou que, ao implantar as compras eletrônicas no governo paulista, conseguiu uma economia de R$ 4 bilhões em três anos e meio. "No governo federal isso se multiplica por oito ou dez", previu Alckmin. Ao ser questionado sobre quais os outros setores do governo que poderiam sofrer redução de gastos, ele citou o corte de cargos comissionados e a redução do número de ministérios. "E se tiver uma política fiscal melhor, vai se poder abaixar os juros", frisou. "Aí, cada 1% da Selic se economiza R$ 9 bilhões."Energia e reformasO tucano disse que a crise do apagão durante o governo Fernando Henrique Cardoso ocorreu por causa de fatores hidrológicos e defendeu o candidato a vice de sua chapa, que foi ministro das Minas e Energia durante a crise. "O senador José Jorge chegou ao ministério para ajudar a resolver o problema", ressalvou. Segundo Alckmin, o problema poderia se repetir daqui a três anos, desta vez por falta de investimentos na geração de energia. "Imagino que o Brasil cresça 5% ou 6% - que é o que queremos que ele cresça. Então nós vamos ter problema já com data marcada: 2009/2010", antecipou. "Não está tendo investimento porque o modelo do atual governo não gera confiança no setor privado."Alckmin prometeu encaminhar em janeiro uma proposta de reforma tributária e também a reforma política, prevendo o voto distrital (ou distrital misto) e a fidelidade partidária. E alfinetou a proposta do presidente Lula de uma Assembléia Constituinte exclusiva para a reforma política. "Não precisa. Seria o mesmo que para se pôr ladrão na cadeia tivesse que se fazer uma Constituição nova no Brasil", ironizou. "Para mim é fidelidade partidária." Sobre a reeleição, ele disse que talvez ainda seja muito cedo para saber se ela funciona ou não. Mas criticou o que ele chama de abusos que estariam sendo cometidos pelo atual governo. "Cotidianamente nós estamos vendo abuso de quem está no governo", salientou. "A minha opinião pessoal é que do jeito que está é melhor acabar com a reeleição."Ao ser perguntado como faria para aumentar a fronteira agrícola sem derrubar a selva amazônica, Geraldo Alckmin disse que seria necessário ampliar a fronteira em direção ao cerrado e investir em produtividade. "Eu sou totalmente favorável ao desenvolvimento sustentado", garantiu. "E nós temos espaço", frisou. O tucano aproveitou para criticar a política agrícola do atual governo. "A agricultura brasileira passa a maior crise dos últimos 40 anos: plantou com o dólar a R$ 3 e colheu a R$ 2,40; plantou com R$ 2,40 e colheu a R$ 2,10", explicou. "Tirando o setor sucroalcooleiro, todo o setor agrícola está com um problema gravíssimo. Há uma total omissão do governo federal e uma visão equivocada: não entendeu a importância do agronegócio para o Brasil."Alckmin falou ainda sobre os novos ataques do crime organizado em São Paulo e insinuou que o problema poderia estar relacionado ao calendário eleitoral. "É interessante que sempre em época de eleição acontecem essas coisas", recordou o ex-governador citando a crise ocorrida em 2002. "Certamente é coincidência", ironizou. Mas ao mesmo tempo disse que, para ele, estaria havendo uma reação do crime contra a ação da polícia. "A explicação é que o governo do Estado tirou 90 mil criminosos da rua", referindo-se ao aumento do número de presos desde o início da gestão Mário Covas. "É claro que eles querem que o governo abrande, que o governo recue. É uma luta de opinião pública."

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