Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE

Alckmin evita petista e vê rivais se aliarem

Ele não dirigiu perguntas a Mercadante, que para atacar teve ajuda de Skaf e Russomanno

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

O debate que reuniu ontem os candidatos ao governo de São Paulo, na TV Globo, foi marcado pela tentativa de Geraldo Alckmin (PSDB) de isolar seu principal adversário, Aloizio Mercadante (PT), ao não fazer perguntas a ele. O tucano, favorito segundo as pesquisas, foi o alvo preferencial dos rivais.

Quando teve oportunidade de fazer perguntas, Alckmin se dirigiu duas vezes a Paulo Skaf (PSB), uma a Fábio Feldmann (PV) e uma a Paulo Bufalo (PSOL). Mercadante acusou o tucano de atacá-lo na propaganda eleitoral e de "fugir" do confronto no programa ao vivo.

"Falar mal de mim no programa eleitoral é fácil, quero ver chegar aqui e sustentar o debate. No segundo turno ele não terá como fugir", disse Mercadante.

Alckmin, antes de fazer a Paulo Bufalo uma pergunta sobre resíduos sólidos, atacou o candidato petista de maneira indireta. "O PT, que quer restringir a liberdade de imprensa, agora quer restringir meu direito de escolher a quem perguntar."

Na primeira oportunidade em que pôde se manifestar, Mercadante reagiu. Disse que o tucano "atacou o PT pelas costas", em vez de debater com ele diretamente.

Números e respeito. Terceiro colocado nas pesquisas, Celso Russomanno (PP) se envolveu em um bate-boca com Alckmin, depois de afirmar que jovens "fogem" do interior do Estado por falta de empregos.

O tucano, que governou o Estado de 2000 a 2006, contestou e afirmou que o interior paulista tem economia mais forte que alguns países sul-americanos.

Na réplica, Russomanno comparou o Estado descrito por Alckmin com "o da Alice no País das Maravilhas". Ironizou ainda o adversário por citar diversos números em suas intervenções. "Seus números são fantasiosos. O senhor conhece números para chuchu." Alckmin protestou e pediu respeito.

Dupla. Como em debates anteriores, Mercadante e Russomanno não criaram situações de confronto entre eles próprios e aproveitaram todas as oportunidades para atacar Alckmin.

O candidato do PT centrou suas críticas no sistema de progressão continuada nas escolas públicas do Estado - que prefere chamar de "aprovação automática". Segundo Mercadante, alunos estão chegando à quinta série do ensino fundamental sem saber ler.

Russomanno atacou a política de segurança dos governos do PSDB nos últimos 16 anos. Também criticou o sistema estadual de saúde, por apresentar demora "de 60 ou 70 dias" para a realização de determinados exames.

Alckmin defendeu o sistema de educação e afirmou que São Paulo apresentou os melhores resultados em avaliação do ensino básico promovida pelo governo federal. Também destacou que o índice de homicídios por 100 mil habitantes é menor no Estado do que no País.

Todos os candidatos aproveitaram o palanque eletrônico para fazer promessas. Alckmin disse que reduzirá a zero o ICMS sobre produtos da cesta básica como arroz, feijão e óleo. Anunciou ainda que, se eleito, dará ao funcionalismo público reajustes salariais acima da inflação.

Mercadante prometeu criar "um BNDEs para São Paulo" - referência a um banco de fomento econômico voltado para o financiamento de empresas no Estado.

Embate pela educação

GERALDO ALCKMIN

CANDIDATO DO PSDB

"Tem gente que quer criar a repetência continuada. Eu vou investir no professor"

"Meu compromisso é a valorização dos recursos humanos"

"Há cidades em São Paulo em que os empregadores saem às ruas procurando empregados"

ALOIZIO MERCADANTE CANDIDATO DO PT

"Os recursos do pré-sal precisam ser investidos na educação"

"Não consigo aceitar que no Estado mais rico desse País saiam da escola como essas crianças estão saindo"

"A porta de saída é a educação. É a única oportunidade para o filho do trabalhador sair da pobreza"

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