Alckmin foi alertado sobre cunhado

Tucano Osvaldo Ussier Filho disse a vereadores de Pindamonhangaba que, em 2006, avisou governador sobre atuação de Paulão

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi alertado já em 2006 sobre atividades suspeitas de seu cunhado, o lobista Paulo Ribeiro, o Paulão, irmão de Lu Alckmin, a primeira-dama. É o que afirma Osvaldo Ussier Filho, filiado ao PSDB e antigo funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de Taubaté (SP).

Na ocasião, Alckmin ainda ocupava o Palácio dos Bandeirantes e se preparava para disputar com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a eleição ao cargo máximo da República.

Ussier relatou o episódio ao prestar depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Pindamonhangaba. Ele foi ouvido na sessão de 7 de dezembro de 2006, perante cinco vereadores, entre eles um tucano.

A CEI apurou suposto esquema de corrupção e propinas na administração municipal de Pindamonhangaba em contrato para fornecimento de merenda escolar à prefeitura.

Paulão é o principal alvo de investigação conduzida pelo Ministério Público. A promotoria suspeita que ele teria sido o elo da empresa Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda com a gestão do prefeito João Ribeiro (PPS), apadrinhado de Alckmin. A Verdurama está sob suspeita de ter feito doações para campanhas eleitorais de prefeitos em troca de contratos superfaturados.

Paulão teria indicado nomes do primeiro escalão do governo municipal. A promotoria apreendeu uma planilha que indicaria supostas comissões recebidas pelo empresário.

Depoimento. No termo de audiência de inquirição de Ussier à CEI, os vereadores resumiram assim o que ele disse: "Afirma que ouviu comentários acerca dos fatos aqui em Pindamonhangaba dando conta da participação do cunhado do governador Geraldo Alckmin, conhecido como Paulão, envolvido em supostas irregularidades no âmbito da administração municipal".

Indagado sobre atos ilícitos atribuídos a Paulão, a testemunha esquivou-se: "Afirma o depoente que desconhece que irregularidades seriam estas".

Ussier também evitou apontar nomes. "Não se recorda que pessoas teriam comentado tais fatos. Comentou com o governador que existiam comentários dentro da cidade acerca dos fatos."

Ele não apresentou provas sobre fraudes, mas foi taxativo quando relatou ter informado a Alckmin os passos do cunhado. "Tão logo soube (das denúncias contra o lobista) levou ao conhecimento do senhor Geraldo Alckmin. Assim que levou ao conhecimento do governador, este ficou surpreso e disse que iria verificar melhor os fatos."

A CEI recomendou abertura de comissão processante para investigar doações realizadas em favor da campanha do prefeito João Ribeiro, reeleito em 2008.

Puxão de orelha. Em Pindamonhangaba, muita gente comenta uma bronca pública que Alckmin teria dado no cunhado.

Os dois teriam se encontrado em uma exposição agrícola. Alckmin havia acabado de chegar de helicóptero. Paulão estava próximo de uma irmã do governador. "O senhor está me comprometendo e o senhor sabe disso", teria dito o tucano, com o dedo em riste, para o cunhado.

"Foi um esculacho na frente de todo mundo", lembra João Bosco Nogueira, ex-vice prefeito que denunciou corrupção na gestão municipal e tráfico de influência de Paulão. "O cunhado dava as famosas carteiradas, isso foi causando constrangimentos ao Geraldo, que jamais tolerou esse tipo de comportamento", comenta Nogueira.

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