Alckmin inicia campanha com comício no DF

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, participou neste sábado do maior evento deste início de campanha, um comício na cidade-satélite de Taguatinga, nos arredores de Brasília. Para tanto, pegou carona na popularidade do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, candidato ao Senado pelo PMDB.Cerca de 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, ou 50 mil, segundo os organizadores, compareceram ao Parque da Facita, onde foi lançada a candidatura da tucana Maria de Lourdes Abadia ao governo do DF. Ela era vice de Roriz e assumiu a administração local quando o titular se afastou para poder disputar uma vaga no Senado. Maria Abadia concorre numa coligação formada por PSDB, PMDB, PTB e outros nove partidos.Roriz esteve no centro das atenções. "Eu apoiei Geraldo Alckmin sem ele me pedir porque ele é a solução para o Brasil", disse o candidato peemedebista ao Senado. "O homem certo que vai solucionar os problemas do Brasil. Com ele, não vamos passar a vergonha que estamos passando." Abadia foi além: "Alckmin é um enviado de Deus para salvar o Brasil."O momento mais aplaudido do discurso de Alckmin foi justamente quando ele elogiou Roriz e, por tabela, Abadia. O candidato do PSDB à Presidência lembrou ter ganhado experiência ao trabalhar como vice do então governador de São Paulo, Mário Covas: "Eu era co-piloto de um grande comandante, assim como Abadia foi co-pilota de um grande comandante."Faz-de-contaAlckmin atacou ainda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. Anunciou que, em caso de vitória, fará "o governo do dito e feito", em oposição ao "governo do faz-de-conta que está lá no Palácio do Planalto". O candidato fez referência à crise política gerada pela descoberta de um esquema de corrupção envolvendo o PT e partidos aliados e criticou Lula da Silva por tentar se descolar das denúncias: "O governo do faz-de-conta é o governo de quem não viu, não ouviu, não sabia da corrupção. Este aqui é o palanque de quem diz e quem faz."Em entrevista, Alckmin deixou claro que vai associar constantemente o governo Lula a dois pontos negativos: corrupção e ineficiência administrativa. "O centro da campanha é propositivo: educação e saúde com qualidade, geração de emprego. E, evidentemente, um governo que tenha princípios e valores", resumiu. O tucano disse que "o crescimento será uma obsessão" de sua administração, se for eleito. E apresentou promessas em várias áreas da administração pública. Na saúde, se comprometeu a implantar um cartão para facilitar o acesso de pacientes ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em transporte, adotou um discurso voltado para o eleitor do Distrito Federal e prometeu trabalhar pela extensão do metrô até a cidade-satélite de Ceilândia.Alckmin agradeceu o apoio do peemedebista Joaquim Roriz dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregar toda a diretoria dos Correios ao PMDB em troca do apoio da maior fatia possível do partido, dividido na disputa presidencial. O candidato tucano reforçou as críticas ao comportamento do presidente. "O aparelhamento do Estado é um desserviço, perde eficiência e abre espaço para a corrupção." No Distrito Federal, o tucano tem que contornar o confronto entre Abadia e o candidato ao governo pelo PFL, deputado José Roberto Arruda. O PFL integra a coligação de Alckmin, "Por Um Brasil Decente", e tem o candidato a vice-presidente, senador José Jorge (PE). No mês passado, Alckmin participou o lançamento da candidatura de Arruda e não poderia faltar à festa da companheira de partido. Um dos integrantes da ampla coligação de Maria Abadia é o PT do B, partido pelo qual o empresário Sebastião Buani tenta uma vaga de deputado federal. No fim do ano passado, Buani confessou ter pago propina ao ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) para manter a concessão de seus restaurantes no Congresso. Cavalcanti renunciou ao mandato para escapar da cassação e Buani perdeu os contratos com a Câmara.Com a proibição da realização de showmícios, o PSDB do Distrito Federal levou uma bandinha, que tocou algumas músicas, fora do palco, depois da saída dos candidatos, em uma área de acesso restrito. O público já se dispersava e não chegou a se divertir com a música. Segundo Edimar Braz, um dos organizadores da festa tucana, foram gastos R$ 150 mil para montar a festa. "Como o comitê financeiro ainda não foi oficializado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), os gastos foram dos partidos, que depois registrarão em forma de doação à campanha. Cada a deputado da coligação se comprometeu a levar o maior número possível de eleitores", disse Braz. EuropaGeraldo Alckmin embarca no domingo para a Europa, onde cumpre agenda em Portugal e na Bélgica até terça-feira. Em Lisboa, encontra-se com o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, e com o primeiro-ministro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Na terça, em Bruxelas, terá reunião com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. "Vamos conversar com a União Européia sobre política externa. A nossa política será muito mais ousada nos acordos comerciais. Hoje, a questão ideológica e partidária está na frente do interesse nacional", criticou o candidato.Matéria alterada às 17h05

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