Alckmin intervém, mas racha no PSDB paulistano se arrasta

Divisão entre grupos do governador e do prefeito Gilberto Kassab persiste, e sigla caminha desunida para a eleição de 2012

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

Mesmo com a atuação direta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o PSDB paulistano não conseguiu fechar acordo para formar a nova direção municipal do partido, mantendo a divisão interna a pouco mais de um ano da eleição municipal.

Após entendimento fechado entre o novo presidente municipal da legenda, Julio Semeghini, eleito no último domingo, e a bancada de vereadores, o acordo foi derrubado por integrantes do partido que não aceitaram ceder espaço para os parlamentares paulistanos. A proposta derrubada na noite de ontem tinha o aval de Alckmin, que chegou a telefonar para ambos os lados na tentativa de chegar a um acordo final.

O entendimento costurado no final da tarde de ontem apontava para a cessão da secretaria-geral do PSDB municipal para o vereador Adolfo Quintas. Representantes dos parlamentares e Semeghini chegaram a brindar, comemorando a resolução do impasse, que se arrastava desde o encontro municipal de domingo. O ex-presidente do PSDB municipal, João Câmara, e o vereador Tião Farias, no entanto, não aceitaram ceder a secretaria-geral. Com boa influência no diretório municipal, ambos ameaçaram ir para votação.

Alckmin chegou a agir diretamente, ligando para os vereadores e defendendo o acordo anterior. Mas não houve mudança do quadro, e a bancada dos parlamentares abandonou, mais uma vez, o processo de escolha dos integrantes da Executiva do partido. Haverá uma nova tentativa de acordo na segunda-feira.

Por trás da disputa pelos cargos de direção partidária, está a briga pelo controle do partido em 2012. Para parlamentares paulistanos, há a tentativa de controle do diretório por quadros com interesse de lançar um secretário candidato a prefeito .

Já aliados do governador veem intransigência por parte dos vereadores e alegam que eles estão alinhados ao prefeito Gilberto Kassab, que criará um novo partido, o PSD (Partido Social Democrático), por meio do qual pretende lançar um candidato em 2012 provavelmente pra concorrer com os tucanos. Em 2008, os vereadores apoiaram a reeleição de Kassab contra Alckmin e Marta Suplicy (PT).

Aliados de Alckmin, que se indispuseram com os vereadores em 2008, defenderam que os parlamentares ficassem mesmo fora da Executiva. A orientação final do Bandeirantes, no entanto, era evitar o racha. Kassab apoiou, com sucesso, o tucano José Police Neto para a presidência da Câmara no ano passado. Segundo o grupo de Alckmin, é provável que os parlamentares fiquem com o prefeito em 2012 se José Serra não sair candidato.

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