Alckmin lamenta que verba tenha sido liberada após ataques

O candidato à Presidência da República pela coligação PSDB/PFL, Geraldo Alckmin, disse que sabia desde ontem que o ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos anunciaria a liberação de R$ 100 milhões para a segurança pública em São Paulo. Mesmo assim, disse que a liberação desses recursos só deve acontecer no próximo ano uma vez que é preciso assinar convênios e licitar as obras."Acho ótimo. Precisamos ver quando vai sair o dinheiro pois nem convênio tem. Isso ajuda. Toda ajuda é positiva", afirmou ele, lamentando que a decisão do governo só tenha ocorrido depois dos episódios promovidos pelo crime organizado em São Paulo. "Poderia ter sido liberado em 2 de janeiro, com critérios mais técnicos", comentou.Alckmin mostrou dados sobre o valor liberado para o fundo penitenciário nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme suas informações, as liberações para o fundo foram nos seguintes valores: em 2000 foram liberados R$ 41 milhões; em 2001, R$ 78 milhões; em 2002, R$ 70 milhões; em 2003, R$ 45 milhões; em 2004, R$ 22 milhões; e em 2005 R$ 41 milhões. Para este ano, a expectativa é de que sejam liberados R$ 50 milhões.CautelaO candidato foi cauteloso em suas manifestações sobre a crise de segurança em São Paulo, ao desembarcar no aeroporto de Aracaju. "Não vou politizar", limitou-se a dizer, diante da insistência da imprensa em abordar o assunto e a politização de que o tema vem sendo alvo. Ontem, tucanos e pefelistas vincularam o PT a nova onda de ataques da facção criminosa PCC. Sobre a entrevista concedida ao Estado pelo governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), ele tampouco se alongou. O governador chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "desequilibrado". Foi quando o governador comentou a declaração do presidente que se a situação em São Paulo estivesse sob controle, os ataques do PCC já teriam cessado.Questionado se a Força Nacional de Segurança, oferecida pelo presidente é mais uma bandeira político-eleitoral, como disse Lembo, ele disse que esse é um tema administrativo do Estado de São Paulo. "O Dr. Lembo conduz bem lá", limitou-se a dizer. PesquisasAlckmin ao desembarcar nesta capital, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai cair mais nas pesquisas e o acusou de atrapalhar os investimentos em Estados administrados por adversários do PT. "Eu acho que o Lula vai cair mais. Isso é só o começo", afirmou, referindo-se à última pesquisa do Instituto Vox Populi, em que Lula caiu três pontos porcentuais.Ao acusar Lula de distinguir entre Estados administrados pelo PT e os de outros partidos, Alckmin incluiu no grupo dos não petistas Sergipe, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. "O presidente tem uma visão anti-republicana", afirmou. "Ele acha que o dinheiro é do PT, é uma confusão entre partido e governo. Então, quem não é do seu grupo, ele persegue. É uma visão equivocada". Segundo Alckmin, em Sergipe não há uma obra com recursos liberados pelo governo federal. "Na Bahia, pergunte qual é. Também não tem. Se for em São Paulo, qual o investimento?", questionou. "Também não tem", afirmou.

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