André Dusek/AE
André Dusek/AE

Alckmin mira serristas com 1ª nomeação

Casa Civil ficará com Sidney Beraldo, que era secretário de Gestão Pública no governo de Serra; outros três nomes são anunciados

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2010 | 00h00

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou ontem os primeiros quatro nomes da sua equipe, evidenciando uma preocupação com a articulação política do novo governo e num claro aceno aos serristas.

Para a Casa Civil, um dos postos mais estratégicos do Palácio dos Bandeirantes, o tucano convidou Sidney Beraldo (PSDB), ex-secretário de Gestão Pública da administração José Serra e coordenador da campanha vitoriosa ao governo do Estado.

Beraldo é considerado um articulador político habilidoso e foi um dos principais nomes que fizeram a ponte entre Serra e Alckmin nos últimos anos. Será responsável por fortalecer a Casa Civil, que poderá incorporar novas atribuições, como as da atual Secretaria de Comunicação.

Giovanni Guido Cerri, presidente dos Conselhos Diretores do Instituto do Câncer, indicado para o posto por Serra, foi nomeado secretário da Saúde, uma das vitrines nacionais do PSDB, com programas como as AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades). Cerri colaborou com os programas do PSDB sobre saúde durante a eleição.

Permanência. Em mais uma sinalização de unidade partidária, Alckmin manteve Linamara Battistella como secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, pasta criada por Serra e uma das áreas que ele gostaria que não houvesse mudança. Alckmin convidou ainda para a chefia da Casa Militar o coronel Admir Gervásio Moreira, primeiro negro a ocupar o posto. Desde 2010, ele é o corregedor da Polícia Militar.

O tucano resolveu divulgar os primeiros secretários apenas na manhã de ontem. O objetivo era de diminuir a ansiedade da base aliada e arrefecer a bolsa de apostas feitas pela imprensa nos últimos dias. "Sei que há dois ansiosos na vida: as jornalistas e os políticos", disse. Segundo Alckmin, os próximos nomes devem sair aos poucos. "Não tem correria", completou.

O tucano disse que ainda está ouvindo os demais partidos aliados, que estão levando seus "programas" e "propostas". Ontem, tomou café da manhã com o PPS

Os convites foram feitos pelo governador eleito anteontem à tarde. Antes de anunciar os nomes, Alckmin conversou com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, com quem se reuniu no escritório de transição.

Embora os tucanos falem em "continuidade", o governador eleito pretende vitaminar projetos deixados de lado pela administração Serra-Goldman e imprimir característica própria na sua gestão. Acabará com algumas secretarias, como Comunicação, Ensino Superior e Relações Institucionais. E criará outras, como Gestão Metropolitana e Desenvolvimento e, provavelmente, Turismo.

No anúncio de ontem, Alckmin acalmou o partido internamente ao manter quadros da gestão anterior e convidar nomes tradicionalmente ligados a Serra. Aliados dizem que, após a sinalização aos serristas, comandará o governo com mais autonomia em relação à gestão anterior.

Retorno. Também trará de volta colaboradores de quando era titular do Palácio dos Bandeirantes. Saulo Abreu, ex-secretário da Segurança Pública, é um dos cotados para voltar, mas em nova função.

Questionado se pretendia ampliar a cota de aliados de Serra no seu governo, Alckmin respondeu: "Sim. É uma ótima equipe. Outros nomes serão mantidos e haverá nomes novos". O governador eleito classificou a sua gestão como de "continuidade" e de "inovação".

Outro secretário cotado para permanecer no posto é o da Fazenda, Mauro Ricardo. Alckmin teria sondado para o cargo Yoshiaki Nakano, que colaborou com o seu programa de governo quando disputou a Presidência da República em 2006. O economista, no entanto, não teria aceitado assumir a função, ocupada por ele no governo Mario Covas.

Os secretários tomam posse junto com o novo governador, em 1º de janeiro do ano que vem.

Nomeações

"É uma ótima equipe(a equipe do ex-governador de São Paulo José Serra).

Outros nomes serão mantidos e haverá nomes novos"

"Provavelmente algumas das secretarias da atual gestão serão extintas"

"Essa é a escalação do time que vai fazer São Paulo avançar ainda mais"

Geraldo Alckmin

GOVERNADOR ELEITO

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