Alckmin não confirma PCC como autor de seqüestro

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) não confirmou que Primeiro Comando da Capital (PCC) tenha sido o autor do seqüestro da médica Eulália Pedrosa Almeida. "Estamos felizes porque a refém foi libertada ilesa, sem problemas, foi salva uma vida", disse o governador. Segundo ele, a polícia descobriu o cativeiro, prendeu os seqüestradores e agiu com "absoluta competência e eficiência. O importante é que o governo não negociou em nenhum momento, com o crime organizado nem irá fazê-lo", disse Alckmin. Segundo ele, com os depoimentos dos seqüestradores presos vai ser possível descobrir se o crime foi realizado pelo PCC ou por outra organização criminosa.A libertação ocorreu hoje, por volta das 8 horas, menos de 48 horas depois do seqüestro. Apesar de não admitir que o seqüestro tenha sido realizado pelo PCC, Alckmin voltou à afirmar que os seqüestradores fizeram exigências absurdas, entre elas a demissão do diretor da Casa de Custódia, a transferência ou a libertação dos líderes do PCC presos na Casa de Custódia e o fechamento deste presídio. Todas essas exigências, eram demandas do PCC."Não houve negociação, não houve entendimento. A penitenciária de segurança máxima de Taubaté continua em funcionamento e o governo paulista está construindo uma segunda, em Presidente Bernardes. Os bandidos foram presos e a polícia agiu com eficiência", afirmou Alckmin. Ele recebeu a notícia do fim do seqüestro hoje pela manhã, quando participava da derrubada simbólica da carceragem, do 40º DP, na Vila Santa Maria, zona norte da capital.Segundo o delegado geral da Polícia Civil, Marco Antonio Desgualdo, a médica estava sendo mantida em cativeiro em uma casa no Morro da Nova Cintra, na cidade de Santos, litoral paulista. Policiais da delegacia Anti-Seqüestro e da Divisão de Investigação Geral de Santos, atuaram juntos na localização e estouro do cativeiro. Desgualdo não forneceu o número de homens envolvidos na operação.Médica usava capuz"Quando a polícia chegou, Eulália estava extremamente nervosa. Ela não estava amarrada, permanecia deitada numa cama e usava um capuz. Aos poucos ela foi se acalmando", disse Desgualdo. Segundo ele, a médica não sofreu nenhum tipo de violência. No cativeiro foi preso um dos seqüestradores e outros dois foram presos cerca de uma hora e meia depois no Guarujá, cidade vizinha, com o carro utilizado no seqüestro. "A partir de agora vamos intensificar as investigações para identificar o restante da quadrilha", disse Desgualdo.De acordo com as informações de Desgualdo, duas equipes estavam trabalhando no caso: policiais de Taubaté e da Divisão Anti-Seqüestro. "Eles estavam checando todas as informações, durante a madrugada conseguiram uma pista que os levou à localização do cativeiro, em Santos", disse. Desgualdo afirmou ainda, que é prematuro falar numa ação do PCC. "A investigação é que vai dirimir as possíveis dúvidas. Vamos ouvir os indivíduos presos e teremos condições de saber quem são, a que quadrilha pertencem. Por enquanto falar em PCC é precipitado", disse Desgualdo.

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