Alckmin nega contradição em discurso de ajuste fiscal

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, negou, em sabatina promovida pelo Grupo Estado, que haja contradição em seu discurso de fazer um ajuste fiscal no País, mas, ao mesmo tempo, defender o reajuste de 16% aos aposentados e o piso nacional para professores, medidas que ampliariam os gastos da União. Alckmin citou o ajuste promovido em São Paulo pelo ex-governador Mário Covas. "Ele dizia o seguinte: eu faço o ajuste não por economês, mas exatamente para investir em educação, saúde, saneamento, para melhorar a vida das pessoas", afirmou.Segundo Alckmin, a qualidade do gasto público no Brasil é ruim. "Pretendo fazer a economia crescer mais depressa e segurar os gastos correntes para abrir espaço para investir em educação, melhorar a vida do povo e reduzir imposto", afirmou.O tucano criticou a demora do governo em aprovar o Fundeb no Congresso. "Tem maioria para absolver mensaleiro, mas não tem para aprovar o Fundeb. Eu vou priorizar a educação básica", prometeu. "É óbvio que em Estados menores você tem que ajudar para garantir no mínimo um piso de salário para o professor. Você complementa.O Estado mais rico paga muito mais, mas você garante esse mínimo."Sobre a questão dos aposentados, Alckmin censurou o governo por não ter concedido o aumento de 16% para aposentados, que totalizaria um gasto de R$ 8 bilhões. "Mas teve R$ 9 bilhões para dar para um fundo de pensão de uma empresa estatal", acusou. Ele assegurou que não desvinculará o salário mínimo dos pisos das contribuições da Previdência.Alckmin criticou também o patamar atual da Selic e do câmbio, mas não disse como fará para reduzir os juros e desvalorizar o real frente ao dólar. "Não é possível o Brasil, um dos países mais injustos do mundo, querer fazer ajuste em cima do pobre. Ninguém vai na taxa Selic. Cada 1% são R$ 9 bilhões. Essa diferença dos juros do Brasil com os juros internacionais é uma das causas de elevar o câmbio onde foi parar, desindustrializando o País e fazendo a maior crise na agricultura nos últimos 40 anos."O candidato voltou a dizer que o preço dos alimentos vai aumentar após as eleições. "Estão enganando o povo. É óbvio que vai aumentar o preço da comida. Se você reduz a área plantada, tecnologia e produtividade, está aí o resultado. Óbvio que isso aí não tem efeito imediato, mas vai ter conseqüências graves após as eleições. A conta pós-eleitoral é pesada", considerou.

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