Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Alckmin pede ''rigor'' no caso do cunhado

Governador apoia ''investigação total'' do MP sobre ações do lobista Paulo Ribeiro

Daiene Cardoso, Gustavo Uribe e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Em meio às denúncias envolvendo seu cunhado, o lobista Paulo César Ribeiro, conhecido como Paulão, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu ontem publicamente, pela primeira vez, "investigação absoluta" do caso pelo Ministério Público de São Paulo.

Paulão, um dos 11 irmãos da primeira-dama de São Paulo, Lu Alckmin, é alvo de inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público. Ele foi seguido e espionado por agentes do MP em Pindamonhangaba (SP), terra natal de Alckmin, durante quatro meses.

O cunhado do governador é apontado como lobista de uma organização que, por contratos para fornecimento de merenda escolar, doava somas elevadas para campanhas eleitorais de prefeitos da região do Vale do Paraíba. "Eu já falei, investigação total para qualquer pessoa, independentemente de quem seja", disse Alckmin, após café da manhã com centrais sindicais, no Palácio dos Bandeirantes. "Se é uma denúncia, ela envolve coisa pública. Uma investigação absoluta", acrescentou.

No começo da tarde, após entregar viaturas da Polícia Militar no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, o governador tentou desvincular seu cargo à investigação sobre o cunhado quando perguntado sobre o caso, mas reiterou que defende a apuração do suposto crime.

"Não tem nenhuma relação com o governo do Estado. Como qualquer pessoa (Paulo César Ribeiro, seu cunhado) deve ser investigado e depois, esclarecido. Se houver alguma responsabilidade, punição. Se não houver, correção", afirmou.

Desgaste. Indagado sobre um possível desgaste político com o envolvimento de um parente em investigação, Alckmin preferiu se esquivar. "Qualquer pessoa que haja uma denúncia tem de ser investigada. É isso que eu defendo", resumiu o governador.

Conforme revelou ontem o Estado, políticos de Pindamonhangaba atuaram para "blindar" um pedido de investigação sobre o cunhado de Alckmin ainda em 2006. À época, o tucano concorria à Presidência da República contra a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

O advogado de Paulão, Gilberto Menin, nega que seu cliente tenha praticado ato ilícito.

Posição

GERALDO ALCKMIN

GOVERNADOR DE SÃO PAULO

"Eu já falei, investigação total para qualquer pessoa, independentemente de quem seja. Se é uma denúncia, ela envolve coisa pública. Uma investigação absoluta"

"Não tem nenhuma relação com o governo do Estado. Como qualquer pessoa, deve

ser investigado e depois, esclarecido. Se houver alguma responsabilidade, punição.

Se não houver, correção"

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