Alckmin recebe especialistas contra criminalidade

o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e o novo secretário de Segurança Pública Saulo de Castro, empossado hoje, se reúnem amanhã com autoridades na área de segurança pública para discutir medidas, agora na esfera estadual. É mais uma tentativa do governo paulista no sentido de minimizar a crise na segurança, agravada com o seqüestro e assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT). A reunião, no Palácio dos Bandeirantes, começa às 8h30. Segundo Alckmin, que ontem apresentou um pacote de medidas de âmbito federal ao presidente da República Fernando Henrique Cardoso, as novas medidas estaduais poderão ser colocadas em prática o mais rápido possível, já que não dependem da aprovação do Congresso Nacional. Alckmin fez uma crítica indireta ao presidente Fernando Henrique ao comentar uma das duas propostas rejeitadas, entre as 14 apresentadas no pacote federal. "Eu queria, em caráter emergencial, as Forças Armadas fazendo o serviço de sentinela, o que liberaria quatro mil PMs para o policiamento das ruas. Mas o governo federal achou que era difícil e esse ponto não foi resolvido", disse Alckmin. "Era só por cinco meses", completou, se referindo ao prazo necessário para treinar os guardas que serão contratados por concurso para essa função específica. A outra proposta rejeitada, por ser inconstitucional, foi a ampliação da pena - para prisão perpétua - para crimes de seqüestro. O governador está convencido da necessidade de aumentar o número de policiais nas ruas para diminuir a criminalidade. Alckmin antecipou que uma das medidas que serão anunciadas amanhã é a contratação de seis mil estagiários, liberando para policiamento ostensivo PMs que hoje estão em serviços administrativos. Ele não disse quando seria efetivada essa medida mas ressaltou que há uma lei federal que permite a contratação, por um ano com possibilidade prorrogação, e pagamento de dois salários mínimos, sem necessidade de concurso público. Alckmin lembrou a importância da ajuda federal no combate ao crime organizado e a criação de forças-tarefas, integrando as policias federal, estaduais, Forças Armadas e Receita Federal na luta contra o tráfico de armas e de entorpecentes. Alckmin voltou a admitir que a questão da segurança continua sendo um desafio, mas lembrou que o aumento da criminalidade atinge o mundo todo. "Agora mesmo, na França, o índice de criminalidade aumentou 10%", disse. CelularesSobre a polêmica proposta de retirada de circulação do telefone celular pré-pago, Alckmin disse que é necessário "num momento de guerra, fazermos sacrifícios". "Hoje, um dos principais instrumentos do crime é o pré-pago. A Anatel pode estudar um meio de bloquear o uso dos que já estão no mercado", disse Alckmin. Ele não soube explicar por que os aparelhos da PF, que permitem rastrear chamadas de celulares, ainda não foram adotados pelo governo paulista nas investigações de crimes. "Daí a importância de somar esforços", respondeu. Alckmin disse ainda que não está satisfeito com a atual política de segurança desenvolvida pelo governo, mas que confia na redução dos índices de criminalidade. "Vamos usar inteligência, equipamentos, integração. É hora de unir esforços", afirmou. Ele acredita que com a atuação da força-tarefa conseguirá diminuir a distância que existe hoje entre a necessidade da população e o desempenho do governo paulista no setor da segurança pública. Sobre a onda crescente de seqüestros, que apresentou um aumento de mais de 320% em 2001, Alckmin voltou a explicar que, na avaliação do governo, houve uma migração dos assaltos à bancos para esse tipo de crime. "Isso é ´business´, o criminoso vai mudando de atividade, há uma migração que impõe à polícia agir especificamente", disse Alckmin. Ele não acredita que a escalada de seqüestros possa ser uma reação do PCC a atuação do governo, que controlou a mega-rebelião de 29 penitenciárias estaduais, ocorrida em fevereiro de 2001, nem à desativação do Complexo do Carandiru. SecretárioPouco antes da entrevista com o governador, o novo secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro, atendeu a imprensa. Ele reafirmou o que há total empenho do governo paulista em esclarecer o assassinato do prefeito Celso Daniel (Santo André-PT). "Foi um crime ousado, não descartamos nenhuma hipótese", disse Castro. Ele revelou que, ontem, um helicóptero de prefixo não identificado pela polícia tentou descer num dos CDPs de Osasco para resgatar presos. "Demos um primeiro tiro de advertência e depois outros seis, no confronto. A ordem é atirar. Vamos avisar as empresas de comunicação, que usam esse tipo de aeronave, para não se aproximarem", disse. Nem ele nem o governador, que durante a coletiva confirmou o episódio, souberam dar detalhes sobre a provável tentativa de resgate. O governador elogiou Castro. "Ele gosta de desafios e vem de uma experiência bem sucedida", disse, referindo-se ao trabalho desenvolvido pelo ex-presidente da Febem.

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