Alckmin reforçará gestão em regiões de voto petista

'Supersecretaria' cuidará das 3 regiões metropolitanas, que detêm cerca de 60% da população paulista e cuja periferia concentra eleitores do PT

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2010 | 00h00

Vitrine da oposição à presidente eleita Dilma Rousseff (PT), o governo de São Paulo sob Geraldo Alckmin (PSDB) terá um órgão administrativo para as três regiões metropolitanas do Estado - Baixada Santista, Grande São Paulo e Grande Campinas. Elas concentram cerca de 60% da população paulista e têm em seus pontos periféricos alta densidade de voto petista.

Os tucanos pretendem, com a melhora na gestão metropolitana, atacar problemas estruturais das regiões e, em paralelo, reverter um histórico quadro eleitoral negativo. Neste ano a escrita de vitória do PT foi mantida na zonas mais afastadas das metrópoles. Dilma venceu o ex-governador José Serra (PSDB) em ambos os turnos na maioria dos municípios que compõem essas áreas.

Na Baixada Santista, a petista obteve maioria em Cubatão, São Vicente e Guarujá. Na Grande São Paulo, Dilma bateu Serra no chamado cinturão vermelho, que tem São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Cotia, Embu, Ferraz de Vasconcelos e Carapicuíba, entre outros municípios da região.

Na região metropolitana de Campinas, o voto petista concentrou-se em um cordão de cidades que começa ao sul em Monte Mor, passa por Santa Bárbara d"Oeste e chega a Cosmópolis, ao norte.

Para marcar presença do governo paulista nessas regiões, a equipe de transição concentra-se em definir qual é a formatação ideal para o novo órgão. Alckmin nega que a estrutura final vá atingir o status de uma "supersecretaria", mas as características do trabalho elevam o patamar estratégico do nome - ainda não definido - que vai assumir essa tarefa.

Hipóteses. Para o governador eleito, "o mais provável" é que o órgão venha a ser a Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Metropolitano. A criação da pasta é uma de suas promessas de campanha e foi cogitada pela primeira vez quando o tucano estava prestes a realizar incursões no ABC paulista.

Naquele momento eleitoral, Alckmin tentava conter o avanço do PT de "fora para dentro" da capital paulista e estancar possível crescimento de seu então rival petista Aloizio Mercadante.

"O mundo moderno é metropolitano", justifica Alckmin. "São enormes desafios de mobilidade, de saneamento. Por isso integrar as políticas públicas de habitação, urbanismo, transporte."

No entanto, não estão descartadas outras duas hipóteses pensadas pelo governador eleito, que ainda passam pelo crivo da equipe de transição. A primeira é a criação de um órgão dentro da Secretaria de Planejamento para traçar metas para as regiões metropolitanas. A segunda hipótese é a formação de um comitê e uma secretaria executiva, em que todos os prefeitos participariam diretamente da elaboração de políticas públicas em favor de suas regiões. Independentemente da opção tomada pela transição paulista, o certo é que o tucano precisará de um "homem forte" para cumprir a missão.

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