Alckmin tem mais vantagem no interior

Candidato do PSDB caiu na capital, mas manteve índices de intenção de voto em outras regiões; Mercadante cresceu em todo o Estado

Malu Delgado e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

Na corrida pelo governo de São Paulo, a vantagem do líder Geraldo Alckmin (PSDB) sobre Aloizio Mercadante (PT) é maior no interior que na capital, segundo a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

Entre o fim de julho e o fim de agosto, Alckmin caiu nove pontos na cidade de São Paulo, de 51% para 42%, mas apenas oscilou dentro da margem de erro na região metropolitana e no interior. Em todo o Estado, ele tem 47% dos votos.

Mercadante cresceu nas três áreas, com destaque para a capital (de 15% para 26%) e o interior (de 13% para 23%). Mas, com 23% das preferências em todo o Estado, ele ainda tem menos da metade dos potenciais eleitores do principal adversário.

Considerando-se apenas os votos válidos, excluídos os brancos, nulos e eleitores indecisos, o candidato do PSDB tem hoje 57%, sete pontos a mais do que o necessário para vencer no primeiro turno.

Apesar da desvantagem de seu candidato, dirigentes petistas se declaram animados com a campanha. Pesquisas qualitativas feitas a pedido do PT nas últimas duas semanas sinalizam grande potencial de transferência de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Mercadante, assim como aconteceu com a presidenciável Dilma Rousseff.

Televisão. A aparição de Lula no programa eleitoral de Mercadante foi bem avaliada, segundo o PT, e eleitores indecisos começaram a cogitar a possibilidade de votar no petista devido à essa associação de imagens.

A conexão Mercadante-Lula já merece a atenção de Alckmin. No debate Estadão/TV Gazeta, na última terça-feira, ele lembrou o episódio dos "aloprados", quando petistas envolvidos na campanha de Mercadante, em 2006, negociaram a compra de um suposto dossiê contra tucanos. O episódio contaminou a campanha de reeleição de Lula e o levou para o segundo turno com o próprio Alckmin.

As pesquisas qualitativas recentes também enumeram casos de eleitores de Alckmin que se mostraram dispostos a mudar o voto por Mercadante. Eleitores decididos a votar em Dilma Rousseff para a Presidência por causa da influência de Lula passaram, segundo essas sondagens feitas pelo PT, a considerar a possibilidade de votar em Mercadante ao tomar conhecimento de que ele também é apoiado por Lula.

Atualmente, dos eleitores de Dilma em São Paulo, 46% dizem que votarão em Mercadante para governador, e 31% em Alckmin. Há um mês, apenas um terço dos "dilmistas" se declarava também eleitor de Mercadante.

Nas qualitativas, em que o eleitor é chamado a opinar sobre os programas independentemente de seu voto e de suas preferências, a apresentação que Lula fez sobre Mercadante e a ligação política entre os dois rendeu a sensação de "credibilidade e experiência política" do senador.

Segundo opiniões desses eleitores ouvidos, e conforme relato de integrantes da campanha de Mercadante, a possibilidade de o candidato do PT em São Paulo trabalhar em sintonia com Dilma começa a mobilizar votos. Na cabeça dos eleitores, "Mercadante vai ter o apoio da Dilma" e isso pode ser importante para o Estado.

Essas mesmas pesquisas mostram que Alckmin é bem avaliado e ainda aparece como o candidato mais competitivo. O tucano é associado a um perfil de seriedade e alguns programas implementados pelo PSDB no Estado, como as Fatecs e Etecs (faculdades e escolas técnicas) e o Dose Certa (distribuição gratuita de remédios) são elogiados e bem avaliados.

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