Alckmin tende a aparecer mais ao lado de presidenciável

Dois anos após racha no PSDB de São Paulo, Geraldo Alckmin e José Serra, candidatos ao Palácio dos Bandeirantes e à Presidência da República, tornaram-se protagonistas de uma simbiose na corrida paulista. A exposição da dupla tem sido frequente e tende a aumentar na campanha. Mas não deixa de ser moldada pelo pragmatismo eleitoral.

Cenário Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

No último dia 7, Serra e Alckmin se encontraram no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, para tratar com suas respectivas equipes da estratégia eleitoral no Estado. Diante de coordenadores de campanha e marqueteiros, apostaram na dobradinha, união que parecia improvável há dois anos, quando Alckmin resolveu disputar a prefeitura paulistana contra o candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), preferido de Serra.

A agenda comum começou a engrossar depois da ameaça do PT em território governado pelos tucanos desde 1995. Em maio, a candidata petista, Dilma Rousseff, mostrou maior fôlego no principal colégio eleitoral do País. De acordo com pesquisas Vox Populi, de janeiro até maio caiu pela metade a diferença entre Serra e Dilma no Estado. A petista chegou a 30% das intenções de voto entre os paulistas contra 44% de Serra. A mesma pesquisa mostrou que, em maio, Alckmin tinha 51% dos votos no Estado, mais do que Serra.Os tucanos resolveram intensificar a agenda e colar ainda mais os dois candidatos.

Há, no entanto, integrantes da campanha que discordaram da estratégia. Avaliam ser perda de tempo Serra fazer campanha em um Estado em que é conhecido e sua gestão, aprovada. O ideal, dizem, seria focar no resto do País.

Serra acabou pegando carona nos compromissos de Alckmin, como na ida ao Itaim Paulista e a Santos, onde assistiram ao jogo da seleção brasileira, e depois na visita a Jundiaí. Na quarta-feira, foi a vez de Alckmin desmarcar compromissos e mudar o horário de entrevista para acompanhar Serra num encontro com sindicalistas.

Em reunião com a coordenação da campanha de Serra, na semana passada, Alckmin se ofereceu para trabalhar pelo candidato tucano, com quem tem conversado por telefone e trocado e-mails. Disse que poderia ajudar no fortalecimento de alguns palanques regionais, como no do Rio Grande do Sul e no de Sergipe.

A reaproximação dos dois, após o clima ruim de 2008, começou durante a construção da candidatura presidencial de Serra, quando ele convidou Alckmin para participar do governo em 2009. A simbiose, no entanto, ainda é frágil. Alckmin, por exemplo, não foi chamado para integrar o conselho político da campanha de Serra, do qual participam caciques como FHC e Aécio Neves. Fato que não passou despercebido.

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