Alckmin volta a chamar Lula de "mentiroso"

O candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, voltou a chamar o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de "mentiroso" em entrevista concedida à Rádio Bandeirantes na manhã desta quarta-feira."O próprio presidente fica colocando mentiras sem parar ao dizer que vou privatizar (a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, a Petrobras e os Correios), meu programa de governo tem mais de 200 páginas e nenhuma citação (a esse respeito), é mentira para ganhar voto", afirmou Alckmin.Segundo o candidato tucano, a insistência de Lula em criticar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, também é um equívoco. "E ele está com farol virado para trás, temos que discutir quem pode fazer mais pelo Brasil", argumentou.Questionado se as privatizações realizadas no governo de FHC foram um equívoco, saiu em defesa do ex-presidente, citando: "O que foi privatizado deveria ter sido privatizado, a Embraer, por exemplo, tinha 4 mil trabalhadores (antes de ser privatizada) e hoje tem 11 mil trabalhadores."O ex-governador de São Paulo afirmou que não pretende vender ativos da União. "O que eu pretendo é trazer a iniciativa privada pra ser parceira do governo na ampliação da infra-estrutura do País, pois o governo não tem dinheiro para fazer tudo com recursos públicos." Alckmin afirmou que sua idéia é implantar as Parcerias Público Privadas (PPPs). "É trazer a iniciativa privada para fazer PPP, expandir Metrô, recuperar estradas, portos, hidrovia, investir em Energia." Programa econômicoGeraldo Alckmin, evitou entrar na polêmica causada pelas declarações do economista Yoshiaki Nakano, um dos formuladores de seu programa econômico, que propôs na terça-feira, 10, entre outras idéias, o controle de capitais e a redução dos gastos públicos em 3% do PIB (cerca de R$ 60 bilhões). Porém, o candidato admitiu que a redução dos gastos neste porcentual ainda não é suficiente para reduzir o déficit nominal. "O déficit (nominal) é superior a isso, o Brasil não fecha a conta".Segundo o candidato, "é preciso desonerar, tirar das costas do brasileiro e da brasileira o governo ineficiente, que gasta muito e, pior, gasta mal."Durante a entrevista, Alckmin disse que "Nakano é um dos melhores economistas do País, professor da FGV, um grande quadro". Sem entrar em detalhes sobre a proposta de redução dos gastos em 3% do PIB apresentada pelo economista, o tucano criticou a política econômica adotada pelo governo Lula, ao dizer que a carga tributária consome o que o trabalhador ganha nos meses de janeiro a abril "e um pedaço de maio".Apesar da carga tributária, segundo Alckmin, "ainda falta dinheiro porque o governo sempre está fazendo dívidas novas". O candidato apontou que vai "melhorar a qualidade do gasto público", reiterou, complementando que foi isso que implantou no governo de São Paulo para reduzir gastos. "Nós não demitimos ninguém", frisou.Na sua avaliação, se o País crescer e o governo não deixar evoluir os gastos públicos na mesma proporção, haverá espaço para investimentos ou para a redução de impostos. "Este é o caminho." O ex-governador frisou que é necessário "dizer a verdade para as pessoas, pois a ineficiência do governo está tirando a eficiência das empresas."Alckmin destacou que "está difícil trazer investimentos para o Brasil porque o mundo globalizado é competitivo", criticando, novamente, "a elevada carga tributária, a maior taxa de juros do mundo e o câmbio não competitivo". "Vai todo mundo embora para a China, para a Índia, para a Argentina."Segundo o candidato, preciso consciência de que o País atravessa um cenário difícil. "Veja a crise na agricultura brasileira, hoje importamos metade do trigo consumido, que vem da Argentina. Isso vai ter reflexo no pão, no macarrão, na indústria que gera emprego." E criticou, mais uma vez, o adversário do PT, ao dizer que "ele não contou (no debate do último domingo) ao falar do superávit comercial com a China que o Brasil exporta (para os chineses) produtos primários (minério) e importamos produtos acabados (manufatura), tirando os empregos e gerando crise na indústria de calçados, brinquedos, móveis, roupas e automobilística."Alckmin voltou a dizer que o Brasil só terá competitividade se tiver "uma política fiscal de melhor qualidade, política monetária com juros mais baixos e política cambial que permita as empresas competir e crescer."AerolulaPara o tucano, o presidente Lula já teve a sua chance (no comando da nação) e não levou o País rumo ao crescimento, geração de emprego e renda. O tucano voltou a falar da intenção de vender o airbus da presidência, conhecido como "aerolula", caso seja eleito, e utilizar os recursos na construção de hospitais. "Vou vender mesmo (o avião) e com o dinheiro, vou fazer hospitais, que é o que o povo precisa."Ainda sobre o aerolula, o tucano disse que o adversário do PT "nem mesmo prestigiou a indústria nacional, pois poderia ter adquirido o avião da Embraer". E ironizou: "E (Lula) ainda quis jogar (a responsabilidade pela compra) em cima do Fernando Henrique, não chama Aero Fhc, chama aerolula." O ex-governador de São Paulo disse que pretende imprimir no País a "cultura do respeito ao dinheiro público, a cultura da eficiência e do combate ao desperdício, pois o exemplo vem de cima."Geraldo Alckmin disse que o governo Lula já gastou R$ 4,5 bilhões em passagens e diárias, fora os gastos com o aerolula e o custo de 34 ministérios. "Não dá, o Brasil não vai crescer deste jeito." E disse que vai reduzir gastos públicos, mas não em programas essenciais, como o Bolsa Família. "Está aí outra mentira colocada", disse, destacando que seu opositor e correligionários estão espalhando a notícia de que ele pretende acabar com este programa, caso seja eleito para o Palácio do Planalto. "Vou manter e ampliar o Bolsa Família e vou mandar um projeto de lei para o Congresso, para que essa rede de proteção social seja lei no País e não objeto de troca eleitoreira."Esta matéria foi alterada às 10h38 para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2006 | 08h57

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