Alckmin volta agressivo, mas Lula não se abala e usa ironias

Um debate que começou morno, passou por ironias e alfinetadas e terminou quente. Assim foi o penúltimo debate da campanha presidencial. Realizado pela TV Record nesta segunda-feira, o debate começou como os demais: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, foi novamente questionado pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, sobre os escândalos de corrupção. Já no primeiro embate entre os candidatos, ficou claro que Alckmin estava mais agressivo do que no último debate realizado pelo SBT, mas ainda não assumia o estilo "Mike Tyson" apresentado no debate da TV Bandeirantes.Desta vez, contudo, a postura do tucano não abalou o candidato do PT, que adotou a ironia para responder várias perguntas. Além de irônico, o presidente não demonstrou o mesmo nervosismo visto no primeiro encontro entre os candidatos e abandonou a leitura de papéis e a citação de números. Ele pareceu mais seguro diante de cobranças, gesticulou menos, e improvisou mais. Além disso, tratou da corrupção como um tema ?gasto? e se abalou pouco com acusações.Alckmin estava agressivo. Logo na primeira réplica, depois de ouvir de Lula que a "era em que as coisas foram varridas para debaixo do tapete" acabou, Alckmin reagiu de forma dura e precisou ser interrompido pelo mediador Celso Freitas, já que seu tempo tinha se esgotado. Lula, com tranqüilidade, respondeu que, em seu governo, nenhuma CPI havia sido arquivada, destacando que no governo tucano, em São Paulo, 69 CPIs não tinham sido instauradas. Enquanto Alckmin batia nos problemas de corrupção no governo Lula e na falta de crescimento do País, o petista atacava com o questionamento sobre o corte de gastos, demora no andamento das obras do Estado. "Onde exatamente você vai cortar, Alckmin?", questionou Lula. "Primeiro na corrupção. Os estudos da Fundação Getúlio Vargas mostram que é US$ 3,5 bilhões. Roubo até em ambulância", respondeu o tucano sem vacilar, em tom agressivo. E citou novamente a frase que vem repetindo sobre este assunto: "governar é escolher".Propostas e planosO candidato petista insistiu, por várias vezes, na discussão de "coisas para a sociedade brasileira". Ele assumiu que poderia ter feito mais. Contudo, destacou o que investiu em vários setores da economia. Alckmin reagiu: "discurso, discurso, discurso! A realidade é completamente diferente".Sempre que chamado a perguntar, o presidente Lula conduzia o debate para os programas de governo. Ele questionou o tucano sobre a indústria naval e educação. Alckmin, além de questionar sempre os escândalos de corrupção, quis falar sobre o superfaturamento de R$ 100 milhões só no aeroporto de São Paulo e cobrou transparência nos gastos dos cartões presidenciais.A saúde foi o primeiro assunto ligado a plano de governo tratado pelo tucano. "Lula, por que você cortou R$ 1,5 bilhão da saúde?", perguntou o tucano. O petista respondeu que esta era a terceira vez que o Alckmin perguntava isso. "Eu queria lembrar que os gastos em Saúde passaram de R$ 28 bilhões para R$ 44 bilhões", disse Lula e destacou ainda vários feitos do seu governo, mas o tucano rebateu e disse que o sistema de saúde nunca viveu uma crise tão grande. AlfinetadasMesmo com a participação dos jornalistas no debate a partir do terceiro bloco, Alckmin e Lula continuaram se alfinetando. Para falar sobre a principal qualidade de Alckmin, Lula atacou sem responder à pergunta do jornalista: "eu via mais virtude em Alckmin antes dos debates (...) Ele até então era um homem altamente civilizado. Eu não sei ultimamente por que eles (tucanos) andam tão nervosos". "Primeiro os problemas brasileiros não serão resolvidos com um governo que não respeita o dinheiro público, mas com um governo que é serviço. Sou educado com as pessoas, mas não podem exigir de mim impunidade. O candidato Lula não deve ficar nervoso com a minha crítica, mas com o fatos", respondeu o tucano no mesmo tom. Até mesmo para citar seu principal defeito como homem público, Alckmin não perdeu a oportunidade para provocar Lula. "Certamente tenho muitos defeitos, mas roubar, não", disse.Clima esquentaO clima esquentou no quarto bloco. Alckmin se exaltou ao questionar Lula sobre as "mentiras" ditas sobre a sua intenção de privatizar empresas públicas. "É válida a mentira na campanha eleitoral?", questionou o candidato tucano, elevando o tom de voz e assumindo, desta vez, o seu estilo "Mike Tyson". O presidente Lula deu 30 segundos de seu tempo para Alckmin continuar sua pergunta. Por seu lado, o candidato petista, falando para o "povão", de forma muito dura, disse que Alckmin não conhecia as condições de pobreza do povo do Nordeste. Foi um dos momentos de maior exaltação do presidente no debate.Assim como no último debate, Lula encerrou sua participação dizendo que não fez tudo que gostaria de ter realizado no seu governo. Já Alckmin, mais uma vez, colocou-se na posição de "homem do povo", destacando que trabalhou para pagar sua universidade.

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