Álcool e éter da Fiocruz usados para refinar cocaína

A Polícia Federal descobriu que traficantes usaram álcool e éter desviados da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) para refinar parte da cocaína que circula nas favelas cariocas. O técnico Márcio Antônio da Silva, de 40 anos, acusado de ter extraviado o material, foi preso na manhã de hoje, na própria instituição. É o 16.º suspeito de integrar a quadrilha responsável por vender produtos químicos a traficantes a ser detido desde que foi deflagrada a Operação Propasta, na manhã de terça-feira.?Ele desviou uma quantidade considerável de éter e álcool sem chamar a atenção da diretoria da Fiocruz?, informou o delegado federal Lorenzo Pompilho da Hora, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Ele contou que a reação dos colegas de Márcio Antônio da Silva diante da prisão do técnico foi de perplexidade.Silva era contratado por uma cooperativa de trabalhadores e atuava como técnico de manipulação de produtos químicos no setor de esterilização do Departamento de Ultra Estrutura e Biologia Celular. Ele não reagiu à prisão, confessou ter desviado o material, mas negou que soubesse que os produtos seriam usados no refino da cocaína. A Assessoria de Imprensa da Fiocruz informou que não comentaria a prisão, a pedido da própria PF, a fim de não atrapalhar a investigação.De acordo com Pompilho, Silva repassava o álcool e éter desviados a Ibrahim Aziz Simão, o Zinho, dono das empresas Saldec Produtos Químicos e Pecuários Ltda, e Saldequímica Comercial Ltda, preso anteontem no Maranhão. Essas empresas, segundo a PF, vendiam componentes químicos aos traficantes para que fossem misturados à cocaína, aumentando em 700% a quantidade da droga. Silva também servia de intermediário entre Zinho e Adalberto Peres Filho, o Miguel, outro integrante da quadrilha preso na terça-feira, e Maricá, traficante preso em Copacabana, numa apreensão de cocaína recentemente.

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