Alda e secretários vão ganhar R$ 21 mil

Em meio a cortes, gestão Kassab faz reforma para valorizar comando

Diego Zanchetta e Roberto Fonseca, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2009 | 00h00

No momento em que o corte de R$ 3 bilhões no orçamento de 2009 já afeta os serviços de limpeza e de manutenção das ruas de São Paulo, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem que dará início a uma reforma administrativa para reajustar os vencimentos do funcionalismo público. E os primeiros aumentos serão concedidos aos cargos do primeiro escalão: o salário da vice-prefeita, Alda Marco Antonio, e dos 27 secretários será fixado em R$ 21,5 mil, enquanto os 31 subprefeitos devem passar a receber R$ 18,5 mil, conforme anunciou ontem o secretário municipal de Gestão, Rodrigo Garcia."Todos os cargos de comando serão valorizados", afirmou ontem Garcia, um dia após a Câmara Municipal aprovar, em segunda discussão, o projeto que elevou o teto do funcionalismo de R$ 12 mil (salário do prefeito) para R$ 22.111 (equivalente a 90,25% do salário de ministro do Supremo Tribunal Federal). O secretário diz que não haverá impacto financeiro na folha de pagamento. "O novo teto vai ter um efeito redutor. Auditores fiscais, procuradores e funcionários antigos que acumulam benefícios não poderão mais ganhar acima de R$ 22 mil. Somente no mês passado pagamos R$ 6 milhões em salários acima do teto, e isso será agora economizado."Após a aprovação do novo teto, é a Mesa Diretora do Legislativo que tem de apresentar um projeto de decreto legislativo para fixar os novos vencimentos do prefeito, da vice e dos secretários. Mas, segundo Garcia, "tudo já foi conversado" com os vereadores. "O projeto vai prever o fim do (pagamento de) jetom pela participação nas comissões dos conselhos de empresas e autarquias. O jetom vai acabar quando ocorrer o aumento." O prefeito abriu mão do reajuste e seguirá com salário de R$ 12 mil.Questionado se outros funcionários também teriam aumento, Garcia declarou que uma reforma vai valorizar todo o funcionalismo, inclusive os profissionais de cargos comissionados. O líder do PT na Câmara e primeiro-secretário da Mesa Diretora, vereador João Antonio, não foi encontrado ontem para comentar os novos salários.A possibilidade de aumento ocorre no momento em que o prefeito reduziu as estimativas de receitas por causa da crise financeira e congelou verbas da varrição (R$ 53 milhões) e de obras de manutenção realizadas pelas 31 subprefeituras. Na Secretaria de Infraestrutura Urbana (Siurb) também houve queda. Foram empenhados até o fim de junho deste ano R$ 181,4 milhões; no ano passado, foram R$ 277 milhões no mesmo período.

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